E aí pessoal? Ansiosos pra parte 5 do conto? vamos lá!
ALESSIA
Passei a noite em claro, mas me mantive quieta pra não acordar
meu pai. Não queria deixá-lo mais preocupado e se eu não estava
conseguindo ser forte, pelo menos tinha que tentar me fazer. "Uma
semana..." essas duas palavras que em algumas vezes parecem tão simples,
agora ecoavam na minha cabeça como se fosse um disco riscado, tocando
uma melodia triste. Eu pensava na hipótese do inescrupuloso DR. Barros
mudar de idéia e mandar outra pessoa no lugar do meu pai ou sei lá...
fiquei assim a noite toda. Só voltei a mim quando o despertador tocou em
cima da mesa de cabeceira. Papai o desligou e se virou pra mim:
- Filha, tá dormindo?
Preferi fingir que estava e só murmurei qualquer coisa sem abrir os
olhos.
- Acorde, minha princesinha... quero aproveitar as últimas horas que
tenho pra ficar com você... ah, e não vai pra escola hoje, ok?
- Tá certo pai...
- Vamos tirar essa fraldinha molhada? - Disse ele já puxando as
cobertas e me ajudando a virar de frente.
- E essas olheiras aí, hein? Não dormiu essa noite né?
- Você me conhece mesmo né pai? Realmente...
- Sim, e muito! Mas bom, sendo assim, acho melhor eu te colocar
outra fralda... vai que você resolve dormir daqui há pouco?
- Não precisa, eu não vou dormir, também quero aproveitar o dia com
o senhor.
- está bem, teimosa! - disse ele tirando minha calça do pijama e
abrindo a fralda tão encharcada quanto as anteriores. Nessa hora eu
comecei a pensar que nos próximos 7 dias não seria ele a fazer isso e de
repente, sem saber porque, estava gostando da sensação dele me limpando
com os lencinhos e tal...
- Filha, vá tomar um banho que vou preparar algo pra você comer, pois
está de estômago vazio desde ontem à noite...
- Ainda estou sem fome, pai...
- Mas pelo menos um leitinho tem que tomar, amorzinho... não quero
que fique doente...
Apenas dei um suspiro e falei já me levantando e indo pro banheiro:
- tá bom, só um leitinho, mais nada.
Fechei a porta, tomei um banho mais rápido do que de costume,
escovei os dentes e saí enrolada na toalha. Quando estava indo pro
quarto meu pai falou lá da cozinha:
- Se vista logo e desça aqui, seu leite está pronto.
Me vesti e desci, mas quando cheguei e me sentei em uma cadeira ele
veio com um copo de criança que eu usava quando era pequena e tinha até
tampa.
- Pai, o que é isso? por que esse copo tão infantil? Podia ter usado
um normal...
- Ah, sei lá, foi o primeiro que vi na frente... - Ele respondeu se
enrolando um pouco.
Como tínhamos só algumas horas juntos antes dele partir pra maldita
viagem eu resolvi tomar sem discutir. Já bastava o "baile" que eu havia
dado um dia antes e já estava até arrependida... Então tomei muito
rápido pra me livrar logo do copinho.
- Ei, cuidado pra não se afogar! - Papai disse rindo do meu jeito.
- Só to tomando logo pra me livrar desse negócio de criança aqui...
- Nossa, o leite tava ruim?
- Não, mas o copo... olha, só hoje que eu aceitei tomar nele, mas
não se acostume!
- Eu é que digo... isso aí parece uma mamadeira, já pensou você se
acostumar? Imagine uma meninona desse tamanho mamando... ia ser demais!
Hahahahaha
- Ai pai... - Disse eu largando o copo na mesa e correndo pra dar um
abraço de urso nele.
- Segura peão! Ai ai... vou ficar louco de saudade desse abraço
quando eu estiver longe...
- Nem me lembra, tá? Por favor...
- Tá bem, mas agora eu tenho muita coisa pra fazer... arrumar a mala
e ver a questão de com quem você vai ficar.
- A é, mais essa agora... só que eu ainda acho que posso me virar
bem, já que você não pensa na possibilidade de pedir pras minhas tias.
- Aquelas duas? Elas já acham que eu mimo você demais, se souberem
que está usando fralda aí sim vão pegar no meu pé e de quebra, no seu
também... não vai querer ficar uma semana com alguma delas te falando
poucas e boas aqui, né?
- é, tem razão, as tias não... mas então quem vai?
- Vou ver isso quando terminar de arrumar a mala... por falar
nisso, gostaria de me ajudar?
- Desculpa pai, mas acho que não vou conseguir... prefiro fazer
outra coisa... - Respondi enchendo os olhos de lágrima mais uma vez.
- Ok, mas sem chorar, hein?
Dei um beijo e um abraço nele e saí de perto. Fui me sentar em um
banco lá fora no quintal de nossa casa que era gramado e com árvores.
Nem queria ouvir o que estava acontecendo lá dentro.
Depois de um tempo, quando comecei a me sentir entediada, fui
rapidinho até o meu quarto e peguei um livro qualquer na minha estante.
Voltei pra onde eu estava antes e só comecei a folheá-lo, nem conseguia
ler. Foi só depois de algumas horas que meu pai me chamou lá da sala:
- Filha, onde você está? Preciso te falar algo importante...
- No quintal, pai.
Ele foi até lá e se sentou ao meu lado.
- O que está lendo? - Perguntou olhando pro livro em minhas mãos.
- Nada... só peguei qualquer coisa pra folhear enquanto esperava
você terminar o que estava fazendo...
- Sei... mas agora me escuta. Arrumei alguém pra ficar aqui contigo
essa semana... liguei pra vários lugares até encontrar o que queria...
- é mesmo? E então? - Eu perguntei, nervosa.
- Bem, consegui uma Au Pair, que é como se fosse uma governanta. Ela
vai cuidar de você e da casa também, te ajudar com os deveres escolares
e etc. O melhor de tudo é que ela entendeu e aceitou suas condições...
- Nossa pai, você falando assim fica parecendo que tenho algum
problema...
- Não filha, eu quis dizer que ela compreendeu perfeitamente o fato
de você ter que usar fraldas pra dormir e me prometeu fazer tudo
direitinho. Agora preste bem atenção no que vou dizer. - Ele pôs a mão
no meu queixo, me fazendo olhar em seus olhos. - Colabore com ela, tá?
obedeça e faça tudo que ela pedir, comporte-se como se eu estivesse
aqui.
- Está bem, pai, o senhor sabe que vou me comportar... talvez eu só
coloque uns preguinhos na cadeira dela na hora de sentar ou ponha um
bicho asqueroso perto dela, nada demais... - Eu brinquei pra tentar
aliviar a tensão.
- Alessia, por favor, não quero ouvir reclamações quando voltar, entendeu?
- Calma pai, foi só uma brincadeirinha...
- é bom mesmo que tenha sido. Agora vamos lá pra dentro comigo que
vou te dar almoço e logo depois já tenho de partir e a moça vai chegar.
A propósito, ela se chama Paola.
- Hum... - Eu fiz com cara de "nem quero saber". - Pai, eu
ainda estou sem fome...
- Não, sem essa, Alessia. Alguma coisinha você vai comer, nem que
seja um mingauzinho. Lembra que eu fazia quando você era pequena?
- Ai ai, quando o senhor fala não adianta né? - Eu falei, dando um
suspiro.
- Que bom que sabe disso... agora espere aí, vou preparar o mingau.
Ele foi pra cozinha e voltou trazendo um prato fundo quase cheio e
uma colher. Quando eu fui pegar ele se afastou discretamente e
falou:
- Deixa o papai te tratar na boquinha, deixa?
Mais uma vez resolvi não questionar. A última coisa que eu queria
naqueles últimos minutos era discutir por qualquer motivo que fosse.
Deixei que me tratasse na boca e não demonstrei, mas no fundo estava
adorando a sensação...
- Tá gostoso, filha?
- uhum... - Respondi de boca cheia.
Quando terminei de comer ele lavou as coisas, guardou e me pegou no
colo pra levar até o sofá. Faltava muito pouco tempo pra hora da
despedida, então no fundo até gostei disso...
Me deitou em seus braços como tinha feito da vez anterior e eu
fechei os olhos pra não chorar. Agora eu sabia que tudo isso estava
sendo ruim não só pra mim. Tentei me focar ali, no momento presente...
na sensação dele me fazendo cafuné, me balançando como se eu fosse um
bebê e cantando pra mim em francês. Nessa hora eu me liguei da falta que um colo me fazia e percebi o quanto ficávamos longe um do outro mesmo tão perto porcausa
de sua vida corrida no trabalho e do tempo que eu vivia no computador...isso me fez sentir mais triste ainda. Mesmo assim resolvi fingir que dormia pra não ser
pior. Ouvi quando 2 carros encostaram ao mesmo tempo na frente de casa.
Um devia ser o táxi que ia levar meu pai pro aeroporto e o outro, o
carro da tal da Paola. Continuei fingindo enquanto
papai se levantava e me deitava no sofá. Apertei mais os olhos pra segurar
as lágrimas que queriam rolar e ouvi passos diferentes entrando na casa e
ele saindo com a bendita mala e entregando um bilhete a aquela que
devia ser quem ia me cuidar a semana inteira. Agora mesmo eu teria
de me mostrar forte e o mais madura possível, mas meu coração
estava apertado. Então pra aliviar um pouco rezei em pensamento: "óh, Deus,
protege meu pai... não deixe que nada aconteça a ele nessa viagem...
traga-o de volta em segurança pra mim e ajude que essa semana passe
rápido. Amém!". E fiquei totalmente quieta, pois naquele
momento tudo que eu menos queria era conversar com uma estranha.
CONTINUA!!!
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