domingo, 28 de abril de 2013

Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 4-2

Oi gente! Vamos à outra metade da parte 4 do conto? rsrs. Bora lá então!


    - Ma che cazzo! Era só o que me faltava... - berrei, dando um soco
no volante.

    A Alessia tirou os fones num pulo, assustada e gritou também:

    - O que houve, pai? Quer me matar do coração?

    - Desculpa, filha, não quis te assustar, mas olhe pros lados e veja
o motivo do berro que dei...

    Ela olhou e viu a bagunça:

    - Jesus, desse jeito a que horas vamos chegar em casa?

    - Não sei, mas algum problema? Por acaso está com vontade de ir ao
banheiro?

    - Ai, que droga! Pare de pensar só em banheiro... eu hein... quero
chegar logo pra ver meus e-mails e mensagens no celular... minhas amigas
devem estar querendo saber o que é de mim...

    Olhei bem fundo nos olhos dela, aproveitando que o carro estava
parado e não tinha como movê-lo do lugar

    - Pare, de, falar, assim, comigo! Ou será que vou ter que fazer o
que nunca fiz na vida, botar o chinelo pra conversar com você?

    - Credo pai! Ah, por favor, me deixa quietinha, vai...

    Me arrependi do que falei na mesma hora, mas pra não demonstrar,
deixei-a quieta. Afinal, ainda sou autoridade e mesmo com o coração
doendo não posso baixar a guarda. Depois de quase 3 horas no trânsito
infernal, chegamos em casa.

    - Até que enfim! - Disse Alessia voando do carro assim que o guardei
na garagem e fechei a porta com o controle.

    - Volta aqui, Maria foguete! Vai me ajudar a guardar as coisas
primeiro, tá pensando o que?

    Ela só bufou e me deu um olhar do tipo "se eu pudesse eu te mordia"
e foi fazer o que pedi. Terminamos de pôr tudo no lugar e sem dizer
nada, catou o celular e se mandou pro quarto. Preferi deixar quieto...
peguei meu notebook e fui verificar meus e-mails. Logo de cara vi um do
chefe daqueles com 5 estrelas dizendo: "Me ligue o mais rápido
possível!"

    Virei pro lado no mesmo segundo pra pegar o telefone sem fio. Disquei os números do celular do Dr. Barros e ele atendeu:

    - Alô, Dr. Barros? O senhor precisava falar
comigo?

    Ele foi falando e eu só questionando:

    - Mas como assim?! Do nada? De sopetão? E minha filha como fica?

    Nessa hora a Alessia ouviu e desceu até
o pé da escada rapidinho e ficou só olhando com cara de "E eu como fico o que?" sem entender muita coisa, como eu ainda estava no telefone, retruquei a última fala
 do meu chefe e desliguei:

    - Sim senhor, Tudo bem, Dr. Barros. Amanhã as 15hs estarei no aeroporto internacional embarcando.Passar bem.

    Nisso minha filhota ja saiu meio correndo, em passos largos na minha direção. Não deu nem tempo de botar o telefone na base, ela me abraçou, amarrou a carinha
de choro clássica e disse:

    -Papai, que que ta acontecendo? Pra onde você vai? Que história é essa de embarcando amanhã? Me explica tudo! Como eu vou ficar? Sozinha? Não vai me deixar né?

    -  Lindinha do meu coração, se acalma primeiro de tudo, respira fundo.

    Ela respirou fundo, ofegante umas 3 ou 4 vezes.

    - Meu amor, o papai recebeu um e-mail
daquele nojento do chefe dele mandando que fosse resolver um problemão que os alemães arranjaram la em Dusseldorf ...

    No que eu disse as palavras "alemães" e "Dusseldorf" eu vi as lágrimas começarem a escorrer. Só pensei comigo "Madonna Santa! Che dizgrazia!"

    - Calma filha, eu não  vou demorar pra voltar, prometo! Maledeto figlio di una cagna do meu chefe, fez minha princesinha chorar!

    - Mas pai, eu nunca fiquei mais de dois dias longe do senhor! Não vou aguentar! - E falava chorando e soluçando.

    Nisso uma lágrima escorreu dos meus olhos também.
Eu a peguei num abraço forte e ela chorava, alto mas o som era abafado pela boquinha dela agarrada na minha camisa. Quando ela precisou de ar, vi que minha camisa
estava totalmente molhada com suas lágrimas, então limpei o seu rosto com os dedos:

    - Meu anjinho, essa coisa vai durar no máximo uma semana, eu vou pensar em um
jeito de não te deixar sozinha, fica tranquila. Que ódio do meu chefe! Quero afogar ele no canal de Venezia!

    - Também não precisa (hic) de tudo (hic) isso, (hic) (sniff)... Eu sou grandinha... acho que consigo me virar muito bem.

    - É sim, fofinha, mas... Quem vai garantir que você está dormindo na hora certinha? Comendo direito? Fazendo os deveres? E além do mais, quem vai te trocar antes
de dormir e de ir pra escola?
Você não consegue fazer sozinha ainda... Eu acho demais pedir pra uma das minhas irmãs... Ai se sua Nonna fosse viva!
Cazzo mio!

    Nessa hora ela até deu uma risadinha em meio ao choro:

    - Ai papai, hehe, o senhor quando fica (hic)(snif) nervoso, fala muito palavrão em italiano! Eu
só não to rindo porque to muito triste! Droga!

    -Qualquer dia te ensino, meu anjinho! Agora, vem cá!

Para acalmá-la, tirei forças não sei de onde e a peguei no colo, deitando sua cabeça em meus braços e deixando suas perninhas
penduradas pra baixo, como se fosse um bebê mesmo. Comecei a acariciar sua testinha. Foi quase que automático, o choro cessou, o soluço sumiu e ela parou de fungar.
Pareceu mágica. Olhei fundo nos olhinhos dela e perguntei, tomado pela
emoção do momento:

    - Quer dormir com o papai hoje, meu bebê?

    Pensei que fosse levar uma advertência por tê-la chamado disso, mas
estranhamente ela apenas fez que sim com a cabeça. Então, com um certo
esforço, me levantei com ela no colo e fomos pro quarto.

    - Quer alguma coisa antes de dormir? Um leitinho por exemplo? -
Perguntei, deitando-a na cama.

    - Não, estou completamente sem apetite, só quero ficar com você... -
E voltou a soluçar.

    Nesse instante, corri pra perto dela e a segurei em meus braços de novo.

    - Por favor, minha vida, tente se acalmar... uma semana vai passar
voando...

    - Por que isso, meu Deus, por quê?

    - é a vida, filha... papai também está muito mal com essa viagem...
não pense que não...

    - Aquele seu chefe parece que não tem família...

    - é mesmo... mas agora, vamos nos arrumar pra dormir, já que você
não quer nada...

    Tirei a roupa que ela tinha vindo do sítio, fiz todo o processo de
colocar a fralda e vesti-lhe um pijama de gatinhos que era meio infantil
mas eu achava lindo. Detalhe é que ela nem reclamou. Deitei-a novamente,
cobri e fui me ajeitar pra dormir também, escovei os dentes, coloquei
meu pijama e me aconcheguei bem junto à minha tão amada filhota. Não
demorei muito pra pegar no sono, então não vi se ela dormiu logo.





CONTINUA!!!!

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