sábado, 27 de abril de 2013

Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 4-1

Oi galerinha! Vamos à 4ª parte do conto e essa eu vou dividir em 2 pois ficou muito longa.... rsrsrs


        MATTEO

    Ai ai... depois daquele momento de lembranças não consegui prestar
atenção em mais nada... acabou que nem esperamos o final do filme, fomos
deitar, mas não consegui dormir logo. "Serena, minha querida... nossa
filha se parece tanto com você... espero que de onde você estiver, saiba
que estou cuidando dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo,
do jeito que você me pediu quando estava naquele hospital..." Eu pensava
comigo e depois me lembrava do rosto dela quase perdendo a expressão e
dizendo: "por tudo que há de mais sagrado, cuide de nossa Alessia e
nunca deixe que nada aconteça a ela..." é o que tenho feito e de
onde estiver, espero que esteja feliz com os resultados, meu amor...

    Tentei afastar logo esses pensamentos, me lembrando do que teria pra
fazer no dia seguinte. Eu tinha o aniversário de um amigo pra ir no
sítio dele e além do mais, eu que ia fazer o churrasco. Sem querer me
achar, mas sempre que tem uma festa os meus amigos me encarregam de
cuidar disso porque dizem que o melhor churrasco quem faz sou eu! Já
fiquei um pouco mais aliviado e consegui pegar no sono.

    Na manhã seguinte, levantei, fui ajeitar algumas coisas pra dar o
tempo extra da minha florzinha dormir. Eu sabia que ela não gostava
muito desse tipo de passeio, a final, além de não gostar de mato ainda é
alérgica à picada de bichos. Mas ela precisava ir comigo. Não seria
louco de deixá-la sozinha em casa em pleno domingo o dia inteiro e o
sítio era longe e nenhum celular pegava. Se acontecesse algo? Deus me
livre... Terminei de arrumar minhas coisas e fui chamá-la:

    - Bom dia Filhota... Vamos acordar? Hoje iremos pra um lugar MUITO legal!

    -Hum... Já? Mas tá cedo pai ... É domingo, por que o senhor tá me acordando a essa hora? - Disse ela ainda de olhos fechados e se virando pra parede. Eu só ouvi
o barulho do plástico da fralda encharcada dela roçando contra os lençóis.

    - Filha, lembra do amigo do papai? O Tio Miele?

    - Acho que lembro ... Que que tem?

    - Então, hoje é aniversário dele e tem churrasco no sítio dele... Não quero que
você fique aqui sozinha.

- Ah não, pai, Mato, bicho... Sabe que eu odeio isso!

    - Eu sei, mas la é longe... Vai que acontece alguma coisa aqui e meu celular não pega? Não tenho como te deixar...

    -Tá bem,  Não tem jeito mesmo né? - Disse ela se virando pra mim e abrindo os olhos.

    - Deixa o papai te trocar pra você ir tomar banho e se arrumar.

    Por incrível que pareça, dessa vez ela não falou nada sobre o jeito com que falei com ela.
Puxei o edredom e as cobertas e exatamente como imaginei, a fralda estava encharcada. Abri as fitas com todo cuidado, dei uma limpadinha de leve com os lencinhos
e mandei ela pro chuveiro.

    - Filha, quando sair do banho, arrume uma malinha com uma muda de roupa, necessaire e
Biquini.

    - Tá bem pai! Já já te encontro la embaixo.

Como eu ja tinha separado minha roupa, chinelo e etc, desci pra pegar meu avental e a maleta de facas, pro Miele e o pessoal da empresa é a minha marca registrada,
se me vêem descendo do carro com a maleta, sabem que vão comer no estilo banquete.
Em 10 minutos a Alessia desceu e eu perguntei:

    - Pegou tudo, filha?

    - Sim, pai... Puff... - Disse ela bufando.

    - Certeza? Chinelo, desodorante e seu repelente?

    - Ai, tinha esquecido do repelente! -
E ja foi subindo a escada de novo.

    - Viu só? Se não sou eu pra te lembrar ... Aliás,, espera...

    - Que foi, pai?

    - Pegou uma fralda, amorzinho?

    - Pra que? Eu não vou precisar ....

    - Eu acho melhor você levar, ou então ir com uma, além do caminho não ser muito curto, vai que
você esquece de ir ao banheiro? Como eu sei que vai se distrair
e se divertir, pode ser que aconteça alguma coisa ... E eu quero que esteja segura ....

    - Não vou esquecer de ir ao banheiro, Pai! E não vou levar fralda nenhuma ... E se alguém ver? Vai ser a
maior vergonha! Nunca mais vou sair de casa!

    - Ei, primeiro de tudo, baixe o tom de voz comigo, mocinha. Estou falando pro seu bem.
Temos uma opção, quando fui comprar a suas fraldas, vi um outro tipo mais discreto, que parece uma calcinha. No caminho passamos na farmácia e compramos, chegando
la você põe e fica tranquila...

    - Eu NÃO VOU USAR FRALDA DE DIA! -
Berrou ela pra mim.

    - Ja sabe que se berrar assim comigo de novo vamos ter outro tipo de conversa né?
Sou paciente até demais, mas eu ainda mando aqui. Então chega. Entendidos?

    - Sim senhor... - Disse ela ja armando a carinha de choro.

    - E sem chorar, nada te fiz...pega sua malinha e vamos.

    Pegamos nossas coisas, e fomos saindo de casa. A Alessia ligou os fones de ouvido e foi em direção ao carro ainda pisando meio forte, eu nem dei muita bola pra
não piorar o clima pois odeio vê-la chorar. Mesmo quando ela era bebê, eu faria qualquer negócio pra ela parar de chorar, até malabarismo com uma bola de praia no
nariz!
Entramos no carro e fui dirigindo em direção à estrada, o sítio do Miele ficava a uns 75Km, bem longinho até ... Como ela
estava com os fones e não queria papo, eu
liguei na Radio Rock e fui cantando junto, me distraí e:

    - Ai! Porca Miseria! Ó o pedágio aí, esqueci de passar na farmácia!

    Ela só tirou os fones, fez uma cara de alívio, e abriu um sorrisinho tímido.

    - É ... Parece que você se deu bem hein, filhota?

    Mais um sorrisinho tímido, uma carinha de sem-vergonha que só ela sabe fazer e os fones de volta.
Dirigi até o portão do sítio, dei duas buzinadinhas e la veio o segurança abrir.
Entrei com o carro, encostei e fui recebido pelo próprio aniversariante:

    - ê Matteo! Bem-vindo amigão!

    - Parla Miele! Tranqueira vecchia! Parabéns, fratellino!

    - Fala português, carcamano! Que droga! Hahahaha -
Disse o Miele tirando onda com o meu italianismo, ele odeia quando falo meu idioma nativo perto dele, único detalhe é que eu faço de propósito! Caímos na risada,
e só aí que eu percebi que a Alessia não tinha descido do carro ainda. Dei a volta no carro, abri a porta e falei:

    - Filha, vamos?

    Ela corou de vergonha, soltou o cinto de segurança e foi descendo devagarzinho...
Ficou parecendo quando tinha 3 anos, grudou na minha cintura e escondeu a cara, não queria falar com o Miele, eu dei um toquinho em seu ombro e falei no ouvidinho

    - Filhota, dê os parabéns pro Tio Miele, vai... Não me faz passar vergonha, por favor.
Vou pegar as coisas no porta-malas.

    Ela se soltou de mim e foi dar um abraço super tímido no Miele:

    - Parabéns, Tio ... Tudo de bom, viu? -
Disse baixinho, meio sem jeito.

    - Obrigado, querida! - Agradeceu ele.

    Eu abri o porta-malas, peguei nossas malas e minha famosa maleta de facas, quando o Miele viu, ele só gritou querendo chamar atenção do pessoal:

    - Eita, la vem a maleta! Segura o Italiano se não hoje ele assa um boi inteiro!

    - Madonna Santa hein Miele? Que escândalo... Hahaha
Só vou alimentar o povo direito, como sempre...
Me mostra o caminho pra eu começar a ajeitar as coisas, vai! -
Falei pra ele e me virei pra Alessia:

    -Filha, vêm comigo, já já a gente vai deixar as coisas no quarto.

    Ela veio quietinha, tímida, meio mal-humorada ainda, não querendo ficar ali.
Chegando lá na churrasqueira, comecei a ajeitar tudo e fiz sinal pra
Alessia se sentar em uma cadeira que tinha por ali. Ela se sentou e
continuou com aquela mesma cara de pouco caso enquanto eu já começava a
preparar o churrasco. Lá pelas tantas, pedi pros amigos ficarem de olho
um instante enquanto eu subia pro quarto guardar as malas. Peguei minha
bicudinha amada pela mão e fomos. Lá chegando, coloquei as coisas no
chão, sentei em um sofá que tinha e dei dois tapinhas para que ela
fizesse o mesmo.

    - Filha, qual o motivo dessa cara tão feia? As pessoas ficam te olhando
de mal jeito, sabia?

    - Ah, pai, você sabe que eu estou muito contrariada aqui. Não pode
me culpar pelo meu humor.

    - Mas tem uma coisa que eu acho que vai gostar... te contei que
o Miele tem uma filha da sua idade? Ela deve estar aí!

    - Hum... com certeza deve ter sido obrigada a vir assim como eu e tá
no maior tédio...

    - Ou não... Aqui tem uma piscina bem grande e se ela estiver aí,
provavelmente é lá que vamos encontrá-la. Agora vai, ponha o seu biquini
e bora pra piscina! - Tentei soar um pouco mais animador.

    Ela apenas deu um suspiro e começou a procurar o biquini na mala
perfeitamente arrumada. De uma coisa eu não posso reclamar, minha filha
puxou a mim no quesito organização...
    Enquanto ela se trocava, saí um pouquinho do quarto e fui atrás do
Miele:

    - Ei, cara, sua filha tá por aí? é que tem alguém intediada aqui e
eu pensei que elas poderiam brincar...

    - Tá sim e minhas duas sobrinhas também estão, na piscina. Se quiser eu
levo sua filhota até lá pra ti.

    - Valeu amigão... só vou esperar ela terminar de se arrumar.

    Quando Alessia saiu do quarto, já pronta, pedi pra ele acompanhá-la
até a piscina, voltei pra churrasqueira e nem me preocupei mais. Achei
que a filha do Miele e as primas podiam fazê-la se divertir um
pouquinho. Mais ou menos uma hora e meia depois, todos fomos almoçar.
Me encarreguei de levar carne pras garotas. Queria ver como minha
lindinha estava... Encontrei-a sentada em um canto meio afastada das
outras.

    - O que foi, meu anjo? Por que está aí? As outras não querem brincar
com você? - Falei baixinho para que não ouvissem.

    - Não, pai... eu que não quis entrar na água... não estou com a
mínima vontade e pra me manter seca resolvi ficar longe até dos
espirros que elas estão jogando pra tudo que é lado....

    - Quer voltar pra churrasqueira com o papai?

    - Não sei... o que eu quero de verdade é ir pra casa...

    - Hum, já vi que odiou mesmo, né meu anjo? Já sei, da
próxima vez, venho sozinho e ligo antes pra casa da sua amiguinha e
vejo se você pode ficar lá com ela, tá?

    - ótima idéia, tudo pra não vir aqui outra vez...

    - Não exagera, filha... então dê tchau pras meninas e vamos voltar
lá comigo...

    Nos despedimos delas e voltamos pra churrasqueira. Ficamos por ali
até a hora de ir embora. Fiquei meio envergonhado pela cara de
alívio da Alessia quando anunciei que estávamos de saída, mas fazer o
que, né? Demos tchau pra todo mundo, fomos lá trocar de roupa e quando
chegamos no quarto eu perguntei:

    - Você foi ao banheiro?

    - Claro que fui, pois tinha um ao lado da piscina.

    - é, porque sabe que a viagem é longa e podemos pegar trânsito.

    - Mas não se preocupe, eu já me preveni, tá? - Falou ela meio seca.

    - O que eu já te disse sobre falar assim comigo?

    - Desculpa.

    - Ok, vamos embora.

    Pegamos as coisas todas e entramos no carro, ela com os benditos
fones de ouvido... "ai, bem que um dia eu podia quebrar essa porcaria e
parecer que foi um pequeno acidente né? Pare de pensar besteira,
Matteo... coitada da menina...." Falei baixinho comigo mesmo.
    Há uma certa altura do caminho, só vi de longe o tamanho da fila de
carros na minha frente. O trânsito estava simplesmente parado!





CONTINUA!!!

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