E aí pessoal? Ansiosos pra parte 5 do conto? vamos lá!
ALESSIA
Passei a noite em claro, mas me mantive quieta pra não acordar
meu pai. Não queria deixá-lo mais preocupado e se eu não estava
conseguindo ser forte, pelo menos tinha que tentar me fazer. "Uma
semana..." essas duas palavras que em algumas vezes parecem tão simples,
agora ecoavam na minha cabeça como se fosse um disco riscado, tocando
uma melodia triste. Eu pensava na hipótese do inescrupuloso DR. Barros
mudar de idéia e mandar outra pessoa no lugar do meu pai ou sei lá...
fiquei assim a noite toda. Só voltei a mim quando o despertador tocou em
cima da mesa de cabeceira. Papai o desligou e se virou pra mim:
- Filha, tá dormindo?
Preferi fingir que estava e só murmurei qualquer coisa sem abrir os
olhos.
- Acorde, minha princesinha... quero aproveitar as últimas horas que
tenho pra ficar com você... ah, e não vai pra escola hoje, ok?
- Tá certo pai...
- Vamos tirar essa fraldinha molhada? - Disse ele já puxando as
cobertas e me ajudando a virar de frente.
- E essas olheiras aí, hein? Não dormiu essa noite né?
- Você me conhece mesmo né pai? Realmente...
- Sim, e muito! Mas bom, sendo assim, acho melhor eu te colocar
outra fralda... vai que você resolve dormir daqui há pouco?
- Não precisa, eu não vou dormir, também quero aproveitar o dia com
o senhor.
- está bem, teimosa! - disse ele tirando minha calça do pijama e
abrindo a fralda tão encharcada quanto as anteriores. Nessa hora eu
comecei a pensar que nos próximos 7 dias não seria ele a fazer isso e de
repente, sem saber porque, estava gostando da sensação dele me limpando
com os lencinhos e tal...
- Filha, vá tomar um banho que vou preparar algo pra você comer, pois
está de estômago vazio desde ontem à noite...
- Ainda estou sem fome, pai...
- Mas pelo menos um leitinho tem que tomar, amorzinho... não quero
que fique doente...
Apenas dei um suspiro e falei já me levantando e indo pro banheiro:
- tá bom, só um leitinho, mais nada.
Fechei a porta, tomei um banho mais rápido do que de costume,
escovei os dentes e saí enrolada na toalha. Quando estava indo pro
quarto meu pai falou lá da cozinha:
- Se vista logo e desça aqui, seu leite está pronto.
Me vesti e desci, mas quando cheguei e me sentei em uma cadeira ele
veio com um copo de criança que eu usava quando era pequena e tinha até
tampa.
- Pai, o que é isso? por que esse copo tão infantil? Podia ter usado
um normal...
- Ah, sei lá, foi o primeiro que vi na frente... - Ele respondeu se
enrolando um pouco.
Como tínhamos só algumas horas juntos antes dele partir pra maldita
viagem eu resolvi tomar sem discutir. Já bastava o "baile" que eu havia
dado um dia antes e já estava até arrependida... Então tomei muito
rápido pra me livrar logo do copinho.
- Ei, cuidado pra não se afogar! - Papai disse rindo do meu jeito.
- Só to tomando logo pra me livrar desse negócio de criança aqui...
- Nossa, o leite tava ruim?
- Não, mas o copo... olha, só hoje que eu aceitei tomar nele, mas
não se acostume!
- Eu é que digo... isso aí parece uma mamadeira, já pensou você se
acostumar? Imagine uma meninona desse tamanho mamando... ia ser demais!
Hahahahaha
- Ai pai... - Disse eu largando o copo na mesa e correndo pra dar um
abraço de urso nele.
- Segura peão! Ai ai... vou ficar louco de saudade desse abraço
quando eu estiver longe...
- Nem me lembra, tá? Por favor...
- Tá bem, mas agora eu tenho muita coisa pra fazer... arrumar a mala
e ver a questão de com quem você vai ficar.
- A é, mais essa agora... só que eu ainda acho que posso me virar
bem, já que você não pensa na possibilidade de pedir pras minhas tias.
- Aquelas duas? Elas já acham que eu mimo você demais, se souberem
que está usando fralda aí sim vão pegar no meu pé e de quebra, no seu
também... não vai querer ficar uma semana com alguma delas te falando
poucas e boas aqui, né?
- é, tem razão, as tias não... mas então quem vai?
- Vou ver isso quando terminar de arrumar a mala... por falar
nisso, gostaria de me ajudar?
- Desculpa pai, mas acho que não vou conseguir... prefiro fazer
outra coisa... - Respondi enchendo os olhos de lágrima mais uma vez.
- Ok, mas sem chorar, hein?
Dei um beijo e um abraço nele e saí de perto. Fui me sentar em um
banco lá fora no quintal de nossa casa que era gramado e com árvores.
Nem queria ouvir o que estava acontecendo lá dentro.
Depois de um tempo, quando comecei a me sentir entediada, fui
rapidinho até o meu quarto e peguei um livro qualquer na minha estante.
Voltei pra onde eu estava antes e só comecei a folheá-lo, nem conseguia
ler. Foi só depois de algumas horas que meu pai me chamou lá da sala:
- Filha, onde você está? Preciso te falar algo importante...
- No quintal, pai.
Ele foi até lá e se sentou ao meu lado.
- O que está lendo? - Perguntou olhando pro livro em minhas mãos.
- Nada... só peguei qualquer coisa pra folhear enquanto esperava
você terminar o que estava fazendo...
- Sei... mas agora me escuta. Arrumei alguém pra ficar aqui contigo
essa semana... liguei pra vários lugares até encontrar o que queria...
- é mesmo? E então? - Eu perguntei, nervosa.
- Bem, consegui uma Au Pair, que é como se fosse uma governanta. Ela
vai cuidar de você e da casa também, te ajudar com os deveres escolares
e etc. O melhor de tudo é que ela entendeu e aceitou suas condições...
- Nossa pai, você falando assim fica parecendo que tenho algum
problema...
- Não filha, eu quis dizer que ela compreendeu perfeitamente o fato
de você ter que usar fraldas pra dormir e me prometeu fazer tudo
direitinho. Agora preste bem atenção no que vou dizer. - Ele pôs a mão
no meu queixo, me fazendo olhar em seus olhos. - Colabore com ela, tá?
obedeça e faça tudo que ela pedir, comporte-se como se eu estivesse
aqui.
- Está bem, pai, o senhor sabe que vou me comportar... talvez eu só
coloque uns preguinhos na cadeira dela na hora de sentar ou ponha um
bicho asqueroso perto dela, nada demais... - Eu brinquei pra tentar
aliviar a tensão.
- Alessia, por favor, não quero ouvir reclamações quando voltar, entendeu?
- Calma pai, foi só uma brincadeirinha...
- é bom mesmo que tenha sido. Agora vamos lá pra dentro comigo que
vou te dar almoço e logo depois já tenho de partir e a moça vai chegar.
A propósito, ela se chama Paola.
- Hum... - Eu fiz com cara de "nem quero saber". - Pai, eu
ainda estou sem fome...
- Não, sem essa, Alessia. Alguma coisinha você vai comer, nem que
seja um mingauzinho. Lembra que eu fazia quando você era pequena?
- Ai ai, quando o senhor fala não adianta né? - Eu falei, dando um
suspiro.
- Que bom que sabe disso... agora espere aí, vou preparar o mingau.
Ele foi pra cozinha e voltou trazendo um prato fundo quase cheio e
uma colher. Quando eu fui pegar ele se afastou discretamente e
falou:
- Deixa o papai te tratar na boquinha, deixa?
Mais uma vez resolvi não questionar. A última coisa que eu queria
naqueles últimos minutos era discutir por qualquer motivo que fosse.
Deixei que me tratasse na boca e não demonstrei, mas no fundo estava
adorando a sensação...
- Tá gostoso, filha?
- uhum... - Respondi de boca cheia.
Quando terminei de comer ele lavou as coisas, guardou e me pegou no
colo pra levar até o sofá. Faltava muito pouco tempo pra hora da
despedida, então no fundo até gostei disso...
Me deitou em seus braços como tinha feito da vez anterior e eu
fechei os olhos pra não chorar. Agora eu sabia que tudo isso estava
sendo ruim não só pra mim. Tentei me focar ali, no momento presente...
na sensação dele me fazendo cafuné, me balançando como se eu fosse um
bebê e cantando pra mim em francês. Nessa hora eu me liguei da falta que um colo me fazia e percebi o quanto ficávamos longe um do outro mesmo tão perto porcausa
de sua vida corrida no trabalho e do tempo que eu vivia no computador...isso me fez sentir mais triste ainda. Mesmo assim resolvi fingir que dormia pra não ser
pior. Ouvi quando 2 carros encostaram ao mesmo tempo na frente de casa.
Um devia ser o táxi que ia levar meu pai pro aeroporto e o outro, o
carro da tal da Paola. Continuei fingindo enquanto
papai se levantava e me deitava no sofá. Apertei mais os olhos pra segurar
as lágrimas que queriam rolar e ouvi passos diferentes entrando na casa e
ele saindo com a bendita mala e entregando um bilhete a aquela que
devia ser quem ia me cuidar a semana inteira. Agora mesmo eu teria
de me mostrar forte e o mais madura possível, mas meu coração
estava apertado. Então pra aliviar um pouco rezei em pensamento: "óh, Deus,
protege meu pai... não deixe que nada aconteça a ele nessa viagem...
traga-o de volta em segurança pra mim e ajude que essa semana passe
rápido. Amém!". E fiquei totalmente quieta, pois naquele
momento tudo que eu menos queria era conversar com uma estranha.
CONTINUA!!!
terça-feira, 30 de abril de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 4-2
Oi gente! Vamos à outra metade da parte 4 do conto? rsrs. Bora lá então!
- Ma che cazzo! Era só o que me faltava... - berrei, dando um soco
no volante.
A Alessia tirou os fones num pulo, assustada e gritou também:
- O que houve, pai? Quer me matar do coração?
- Desculpa, filha, não quis te assustar, mas olhe pros lados e veja
o motivo do berro que dei...
Ela olhou e viu a bagunça:
- Jesus, desse jeito a que horas vamos chegar em casa?
- Não sei, mas algum problema? Por acaso está com vontade de ir ao
banheiro?
- Ai, que droga! Pare de pensar só em banheiro... eu hein... quero
chegar logo pra ver meus e-mails e mensagens no celular... minhas amigas
devem estar querendo saber o que é de mim...
Olhei bem fundo nos olhos dela, aproveitando que o carro estava
parado e não tinha como movê-lo do lugar
- Pare, de, falar, assim, comigo! Ou será que vou ter que fazer o
que nunca fiz na vida, botar o chinelo pra conversar com você?
- Credo pai! Ah, por favor, me deixa quietinha, vai...
Me arrependi do que falei na mesma hora, mas pra não demonstrar,
deixei-a quieta. Afinal, ainda sou autoridade e mesmo com o coração
doendo não posso baixar a guarda. Depois de quase 3 horas no trânsito
infernal, chegamos em casa.
- Até que enfim! - Disse Alessia voando do carro assim que o guardei
na garagem e fechei a porta com o controle.
- Volta aqui, Maria foguete! Vai me ajudar a guardar as coisas
primeiro, tá pensando o que?
Ela só bufou e me deu um olhar do tipo "se eu pudesse eu te mordia"
e foi fazer o que pedi. Terminamos de pôr tudo no lugar e sem dizer
nada, catou o celular e se mandou pro quarto. Preferi deixar quieto...
peguei meu notebook e fui verificar meus e-mails. Logo de cara vi um do
chefe daqueles com 5 estrelas dizendo: "Me ligue o mais rápido
possível!"
Virei pro lado no mesmo segundo pra pegar o telefone sem fio. Disquei os números do celular do Dr. Barros e ele atendeu:
- Alô, Dr. Barros? O senhor precisava falar
comigo?
Ele foi falando e eu só questionando:
- Mas como assim?! Do nada? De sopetão? E minha filha como fica?
Nessa hora a Alessia ouviu e desceu até
o pé da escada rapidinho e ficou só olhando com cara de "E eu como fico o que?" sem entender muita coisa, como eu ainda estava no telefone, retruquei a última fala
do meu chefe e desliguei:
- Sim senhor, Tudo bem, Dr. Barros. Amanhã as 15hs estarei no aeroporto internacional embarcando.Passar bem.
Nisso minha filhota ja saiu meio correndo, em passos largos na minha direção. Não deu nem tempo de botar o telefone na base, ela me abraçou, amarrou a carinha
de choro clássica e disse:
-Papai, que que ta acontecendo? Pra onde você vai? Que história é essa de embarcando amanhã? Me explica tudo! Como eu vou ficar? Sozinha? Não vai me deixar né?
- Lindinha do meu coração, se acalma primeiro de tudo, respira fundo.
Ela respirou fundo, ofegante umas 3 ou 4 vezes.
- Meu amor, o papai recebeu um e-mail
daquele nojento do chefe dele mandando que fosse resolver um problemão que os alemães arranjaram la em Dusseldorf ...
No que eu disse as palavras "alemães" e "Dusseldorf" eu vi as lágrimas começarem a escorrer. Só pensei comigo "Madonna Santa! Che dizgrazia!"
- Calma filha, eu não vou demorar pra voltar, prometo! Maledeto figlio di una cagna do meu chefe, fez minha princesinha chorar!
- Mas pai, eu nunca fiquei mais de dois dias longe do senhor! Não vou aguentar! - E falava chorando e soluçando.
Nisso uma lágrima escorreu dos meus olhos também.
Eu a peguei num abraço forte e ela chorava, alto mas o som era abafado pela boquinha dela agarrada na minha camisa. Quando ela precisou de ar, vi que minha camisa
estava totalmente molhada com suas lágrimas, então limpei o seu rosto com os dedos:
- Meu anjinho, essa coisa vai durar no máximo uma semana, eu vou pensar em um
jeito de não te deixar sozinha, fica tranquila. Que ódio do meu chefe! Quero afogar ele no canal de Venezia!
- Também não precisa (hic) de tudo (hic) isso, (hic) (sniff)... Eu sou grandinha... acho que consigo me virar muito bem.
- É sim, fofinha, mas... Quem vai garantir que você está dormindo na hora certinha? Comendo direito? Fazendo os deveres? E além do mais, quem vai te trocar antes
de dormir e de ir pra escola?
Você não consegue fazer sozinha ainda... Eu acho demais pedir pra uma das minhas irmãs... Ai se sua Nonna fosse viva!
Cazzo mio!
Nessa hora ela até deu uma risadinha em meio ao choro:
- Ai papai, hehe, o senhor quando fica (hic)(snif) nervoso, fala muito palavrão em italiano! Eu
só não to rindo porque to muito triste! Droga!
-Qualquer dia te ensino, meu anjinho! Agora, vem cá!
Para acalmá-la, tirei forças não sei de onde e a peguei no colo, deitando sua cabeça em meus braços e deixando suas perninhas
penduradas pra baixo, como se fosse um bebê mesmo. Comecei a acariciar sua testinha. Foi quase que automático, o choro cessou, o soluço sumiu e ela parou de fungar.
Pareceu mágica. Olhei fundo nos olhinhos dela e perguntei, tomado pela
emoção do momento:
- Quer dormir com o papai hoje, meu bebê?
Pensei que fosse levar uma advertência por tê-la chamado disso, mas
estranhamente ela apenas fez que sim com a cabeça. Então, com um certo
esforço, me levantei com ela no colo e fomos pro quarto.
- Quer alguma coisa antes de dormir? Um leitinho por exemplo? -
Perguntei, deitando-a na cama.
- Não, estou completamente sem apetite, só quero ficar com você... -
E voltou a soluçar.
Nesse instante, corri pra perto dela e a segurei em meus braços de novo.
- Por favor, minha vida, tente se acalmar... uma semana vai passar
voando...
- Por que isso, meu Deus, por quê?
- é a vida, filha... papai também está muito mal com essa viagem...
não pense que não...
- Aquele seu chefe parece que não tem família...
- é mesmo... mas agora, vamos nos arrumar pra dormir, já que você
não quer nada...
Tirei a roupa que ela tinha vindo do sítio, fiz todo o processo de
colocar a fralda e vesti-lhe um pijama de gatinhos que era meio infantil
mas eu achava lindo. Detalhe é que ela nem reclamou. Deitei-a novamente,
cobri e fui me ajeitar pra dormir também, escovei os dentes, coloquei
meu pijama e me aconcheguei bem junto à minha tão amada filhota. Não
demorei muito pra pegar no sono, então não vi se ela dormiu logo.
CONTINUA!!!!
- Ma che cazzo! Era só o que me faltava... - berrei, dando um soco
no volante.
A Alessia tirou os fones num pulo, assustada e gritou também:
- O que houve, pai? Quer me matar do coração?
- Desculpa, filha, não quis te assustar, mas olhe pros lados e veja
o motivo do berro que dei...
Ela olhou e viu a bagunça:
- Jesus, desse jeito a que horas vamos chegar em casa?
- Não sei, mas algum problema? Por acaso está com vontade de ir ao
banheiro?
- Ai, que droga! Pare de pensar só em banheiro... eu hein... quero
chegar logo pra ver meus e-mails e mensagens no celular... minhas amigas
devem estar querendo saber o que é de mim...
Olhei bem fundo nos olhos dela, aproveitando que o carro estava
parado e não tinha como movê-lo do lugar
- Pare, de, falar, assim, comigo! Ou será que vou ter que fazer o
que nunca fiz na vida, botar o chinelo pra conversar com você?
- Credo pai! Ah, por favor, me deixa quietinha, vai...
Me arrependi do que falei na mesma hora, mas pra não demonstrar,
deixei-a quieta. Afinal, ainda sou autoridade e mesmo com o coração
doendo não posso baixar a guarda. Depois de quase 3 horas no trânsito
infernal, chegamos em casa.
- Até que enfim! - Disse Alessia voando do carro assim que o guardei
na garagem e fechei a porta com o controle.
- Volta aqui, Maria foguete! Vai me ajudar a guardar as coisas
primeiro, tá pensando o que?
Ela só bufou e me deu um olhar do tipo "se eu pudesse eu te mordia"
e foi fazer o que pedi. Terminamos de pôr tudo no lugar e sem dizer
nada, catou o celular e se mandou pro quarto. Preferi deixar quieto...
peguei meu notebook e fui verificar meus e-mails. Logo de cara vi um do
chefe daqueles com 5 estrelas dizendo: "Me ligue o mais rápido
possível!"
Virei pro lado no mesmo segundo pra pegar o telefone sem fio. Disquei os números do celular do Dr. Barros e ele atendeu:
- Alô, Dr. Barros? O senhor precisava falar
comigo?
Ele foi falando e eu só questionando:
- Mas como assim?! Do nada? De sopetão? E minha filha como fica?
Nessa hora a Alessia ouviu e desceu até
o pé da escada rapidinho e ficou só olhando com cara de "E eu como fico o que?" sem entender muita coisa, como eu ainda estava no telefone, retruquei a última fala
do meu chefe e desliguei:
- Sim senhor, Tudo bem, Dr. Barros. Amanhã as 15hs estarei no aeroporto internacional embarcando.Passar bem.
Nisso minha filhota ja saiu meio correndo, em passos largos na minha direção. Não deu nem tempo de botar o telefone na base, ela me abraçou, amarrou a carinha
de choro clássica e disse:
-Papai, que que ta acontecendo? Pra onde você vai? Que história é essa de embarcando amanhã? Me explica tudo! Como eu vou ficar? Sozinha? Não vai me deixar né?
- Lindinha do meu coração, se acalma primeiro de tudo, respira fundo.
Ela respirou fundo, ofegante umas 3 ou 4 vezes.
- Meu amor, o papai recebeu um e-mail
daquele nojento do chefe dele mandando que fosse resolver um problemão que os alemães arranjaram la em Dusseldorf ...
No que eu disse as palavras "alemães" e "Dusseldorf" eu vi as lágrimas começarem a escorrer. Só pensei comigo "Madonna Santa! Che dizgrazia!"
- Calma filha, eu não vou demorar pra voltar, prometo! Maledeto figlio di una cagna do meu chefe, fez minha princesinha chorar!
- Mas pai, eu nunca fiquei mais de dois dias longe do senhor! Não vou aguentar! - E falava chorando e soluçando.
Nisso uma lágrima escorreu dos meus olhos também.
Eu a peguei num abraço forte e ela chorava, alto mas o som era abafado pela boquinha dela agarrada na minha camisa. Quando ela precisou de ar, vi que minha camisa
estava totalmente molhada com suas lágrimas, então limpei o seu rosto com os dedos:
- Meu anjinho, essa coisa vai durar no máximo uma semana, eu vou pensar em um
jeito de não te deixar sozinha, fica tranquila. Que ódio do meu chefe! Quero afogar ele no canal de Venezia!
- Também não precisa (hic) de tudo (hic) isso, (hic) (sniff)... Eu sou grandinha... acho que consigo me virar muito bem.
- É sim, fofinha, mas... Quem vai garantir que você está dormindo na hora certinha? Comendo direito? Fazendo os deveres? E além do mais, quem vai te trocar antes
de dormir e de ir pra escola?
Você não consegue fazer sozinha ainda... Eu acho demais pedir pra uma das minhas irmãs... Ai se sua Nonna fosse viva!
Cazzo mio!
Nessa hora ela até deu uma risadinha em meio ao choro:
- Ai papai, hehe, o senhor quando fica (hic)(snif) nervoso, fala muito palavrão em italiano! Eu
só não to rindo porque to muito triste! Droga!
-Qualquer dia te ensino, meu anjinho! Agora, vem cá!
Para acalmá-la, tirei forças não sei de onde e a peguei no colo, deitando sua cabeça em meus braços e deixando suas perninhas
penduradas pra baixo, como se fosse um bebê mesmo. Comecei a acariciar sua testinha. Foi quase que automático, o choro cessou, o soluço sumiu e ela parou de fungar.
Pareceu mágica. Olhei fundo nos olhinhos dela e perguntei, tomado pela
emoção do momento:
- Quer dormir com o papai hoje, meu bebê?
Pensei que fosse levar uma advertência por tê-la chamado disso, mas
estranhamente ela apenas fez que sim com a cabeça. Então, com um certo
esforço, me levantei com ela no colo e fomos pro quarto.
- Quer alguma coisa antes de dormir? Um leitinho por exemplo? -
Perguntei, deitando-a na cama.
- Não, estou completamente sem apetite, só quero ficar com você... -
E voltou a soluçar.
Nesse instante, corri pra perto dela e a segurei em meus braços de novo.
- Por favor, minha vida, tente se acalmar... uma semana vai passar
voando...
- Por que isso, meu Deus, por quê?
- é a vida, filha... papai também está muito mal com essa viagem...
não pense que não...
- Aquele seu chefe parece que não tem família...
- é mesmo... mas agora, vamos nos arrumar pra dormir, já que você
não quer nada...
Tirei a roupa que ela tinha vindo do sítio, fiz todo o processo de
colocar a fralda e vesti-lhe um pijama de gatinhos que era meio infantil
mas eu achava lindo. Detalhe é que ela nem reclamou. Deitei-a novamente,
cobri e fui me ajeitar pra dormir também, escovei os dentes, coloquei
meu pijama e me aconcheguei bem junto à minha tão amada filhota. Não
demorei muito pra pegar no sono, então não vi se ela dormiu logo.
CONTINUA!!!!
sábado, 27 de abril de 2013
Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 4-1
Oi galerinha! Vamos à 4ª parte do conto e essa eu vou dividir em 2 pois ficou muito longa.... rsrsrs
MATTEO
Ai ai... depois daquele momento de lembranças não consegui prestar
atenção em mais nada... acabou que nem esperamos o final do filme, fomos
deitar, mas não consegui dormir logo. "Serena, minha querida... nossa
filha se parece tanto com você... espero que de onde você estiver, saiba
que estou cuidando dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo,
do jeito que você me pediu quando estava naquele hospital..." Eu pensava
comigo e depois me lembrava do rosto dela quase perdendo a expressão e
dizendo: "por tudo que há de mais sagrado, cuide de nossa Alessia e
nunca deixe que nada aconteça a ela..." é o que tenho feito e de
onde estiver, espero que esteja feliz com os resultados, meu amor...
Tentei afastar logo esses pensamentos, me lembrando do que teria pra
fazer no dia seguinte. Eu tinha o aniversário de um amigo pra ir no
sítio dele e além do mais, eu que ia fazer o churrasco. Sem querer me
achar, mas sempre que tem uma festa os meus amigos me encarregam de
cuidar disso porque dizem que o melhor churrasco quem faz sou eu! Já
fiquei um pouco mais aliviado e consegui pegar no sono.
Na manhã seguinte, levantei, fui ajeitar algumas coisas pra dar o
tempo extra da minha florzinha dormir. Eu sabia que ela não gostava
muito desse tipo de passeio, a final, além de não gostar de mato ainda é
alérgica à picada de bichos. Mas ela precisava ir comigo. Não seria
louco de deixá-la sozinha em casa em pleno domingo o dia inteiro e o
sítio era longe e nenhum celular pegava. Se acontecesse algo? Deus me
livre... Terminei de arrumar minhas coisas e fui chamá-la:
- Bom dia Filhota... Vamos acordar? Hoje iremos pra um lugar MUITO legal!
-Hum... Já? Mas tá cedo pai ... É domingo, por que o senhor tá me acordando a essa hora? - Disse ela ainda de olhos fechados e se virando pra parede. Eu só ouvi
o barulho do plástico da fralda encharcada dela roçando contra os lençóis.
- Filha, lembra do amigo do papai? O Tio Miele?
- Acho que lembro ... Que que tem?
- Então, hoje é aniversário dele e tem churrasco no sítio dele... Não quero que
você fique aqui sozinha.
- Ah não, pai, Mato, bicho... Sabe que eu odeio isso!
- Eu sei, mas la é longe... Vai que acontece alguma coisa aqui e meu celular não pega? Não tenho como te deixar...
-Tá bem, Não tem jeito mesmo né? - Disse ela se virando pra mim e abrindo os olhos.
- Deixa o papai te trocar pra você ir tomar banho e se arrumar.
Por incrível que pareça, dessa vez ela não falou nada sobre o jeito com que falei com ela.
Puxei o edredom e as cobertas e exatamente como imaginei, a fralda estava encharcada. Abri as fitas com todo cuidado, dei uma limpadinha de leve com os lencinhos
e mandei ela pro chuveiro.
- Filha, quando sair do banho, arrume uma malinha com uma muda de roupa, necessaire e
Biquini.
- Tá bem pai! Já já te encontro la embaixo.
Como eu ja tinha separado minha roupa, chinelo e etc, desci pra pegar meu avental e a maleta de facas, pro Miele e o pessoal da empresa é a minha marca registrada,
se me vêem descendo do carro com a maleta, sabem que vão comer no estilo banquete.
Em 10 minutos a Alessia desceu e eu perguntei:
- Pegou tudo, filha?
- Sim, pai... Puff... - Disse ela bufando.
- Certeza? Chinelo, desodorante e seu repelente?
- Ai, tinha esquecido do repelente! -
E ja foi subindo a escada de novo.
- Viu só? Se não sou eu pra te lembrar ... Aliás,, espera...
- Que foi, pai?
- Pegou uma fralda, amorzinho?
- Pra que? Eu não vou precisar ....
- Eu acho melhor você levar, ou então ir com uma, além do caminho não ser muito curto, vai que
você esquece de ir ao banheiro? Como eu sei que vai se distrair
e se divertir, pode ser que aconteça alguma coisa ... E eu quero que esteja segura ....
- Não vou esquecer de ir ao banheiro, Pai! E não vou levar fralda nenhuma ... E se alguém ver? Vai ser a
maior vergonha! Nunca mais vou sair de casa!
- Ei, primeiro de tudo, baixe o tom de voz comigo, mocinha. Estou falando pro seu bem.
Temos uma opção, quando fui comprar a suas fraldas, vi um outro tipo mais discreto, que parece uma calcinha. No caminho passamos na farmácia e compramos, chegando
la você põe e fica tranquila...
- Eu NÃO VOU USAR FRALDA DE DIA! -
Berrou ela pra mim.
- Ja sabe que se berrar assim comigo de novo vamos ter outro tipo de conversa né?
Sou paciente até demais, mas eu ainda mando aqui. Então chega. Entendidos?
- Sim senhor... - Disse ela ja armando a carinha de choro.
- E sem chorar, nada te fiz...pega sua malinha e vamos.
Pegamos nossas coisas, e fomos saindo de casa. A Alessia ligou os fones de ouvido e foi em direção ao carro ainda pisando meio forte, eu nem dei muita bola pra
não piorar o clima pois odeio vê-la chorar. Mesmo quando ela era bebê, eu faria qualquer negócio pra ela parar de chorar, até malabarismo com uma bola de praia no
nariz!
Entramos no carro e fui dirigindo em direção à estrada, o sítio do Miele ficava a uns 75Km, bem longinho até ... Como ela
estava com os fones e não queria papo, eu
liguei na Radio Rock e fui cantando junto, me distraí e:
- Ai! Porca Miseria! Ó o pedágio aí, esqueci de passar na farmácia!
Ela só tirou os fones, fez uma cara de alívio, e abriu um sorrisinho tímido.
- É ... Parece que você se deu bem hein, filhota?
Mais um sorrisinho tímido, uma carinha de sem-vergonha que só ela sabe fazer e os fones de volta.
Dirigi até o portão do sítio, dei duas buzinadinhas e la veio o segurança abrir.
Entrei com o carro, encostei e fui recebido pelo próprio aniversariante:
- ê Matteo! Bem-vindo amigão!
- Parla Miele! Tranqueira vecchia! Parabéns, fratellino!
- Fala português, carcamano! Que droga! Hahahaha -
Disse o Miele tirando onda com o meu italianismo, ele odeia quando falo meu idioma nativo perto dele, único detalhe é que eu faço de propósito! Caímos na risada,
e só aí que eu percebi que a Alessia não tinha descido do carro ainda. Dei a volta no carro, abri a porta e falei:
- Filha, vamos?
Ela corou de vergonha, soltou o cinto de segurança e foi descendo devagarzinho...
Ficou parecendo quando tinha 3 anos, grudou na minha cintura e escondeu a cara, não queria falar com o Miele, eu dei um toquinho em seu ombro e falei no ouvidinho
- Filhota, dê os parabéns pro Tio Miele, vai... Não me faz passar vergonha, por favor.
Vou pegar as coisas no porta-malas.
Ela se soltou de mim e foi dar um abraço super tímido no Miele:
- Parabéns, Tio ... Tudo de bom, viu? -
Disse baixinho, meio sem jeito.
- Obrigado, querida! - Agradeceu ele.
Eu abri o porta-malas, peguei nossas malas e minha famosa maleta de facas, quando o Miele viu, ele só gritou querendo chamar atenção do pessoal:
- Eita, la vem a maleta! Segura o Italiano se não hoje ele assa um boi inteiro!
- Madonna Santa hein Miele? Que escândalo... Hahaha
Só vou alimentar o povo direito, como sempre...
Me mostra o caminho pra eu começar a ajeitar as coisas, vai! -
Falei pra ele e me virei pra Alessia:
-Filha, vêm comigo, já já a gente vai deixar as coisas no quarto.
Ela veio quietinha, tímida, meio mal-humorada ainda, não querendo ficar ali.
Chegando lá na churrasqueira, comecei a ajeitar tudo e fiz sinal pra
Alessia se sentar em uma cadeira que tinha por ali. Ela se sentou e
continuou com aquela mesma cara de pouco caso enquanto eu já começava a
preparar o churrasco. Lá pelas tantas, pedi pros amigos ficarem de olho
um instante enquanto eu subia pro quarto guardar as malas. Peguei minha
bicudinha amada pela mão e fomos. Lá chegando, coloquei as coisas no
chão, sentei em um sofá que tinha e dei dois tapinhas para que ela
fizesse o mesmo.
- Filha, qual o motivo dessa cara tão feia? As pessoas ficam te olhando
de mal jeito, sabia?
- Ah, pai, você sabe que eu estou muito contrariada aqui. Não pode
me culpar pelo meu humor.
- Mas tem uma coisa que eu acho que vai gostar... te contei que
o Miele tem uma filha da sua idade? Ela deve estar aí!
- Hum... com certeza deve ter sido obrigada a vir assim como eu e tá
no maior tédio...
- Ou não... Aqui tem uma piscina bem grande e se ela estiver aí,
provavelmente é lá que vamos encontrá-la. Agora vai, ponha o seu biquini
e bora pra piscina! - Tentei soar um pouco mais animador.
Ela apenas deu um suspiro e começou a procurar o biquini na mala
perfeitamente arrumada. De uma coisa eu não posso reclamar, minha filha
puxou a mim no quesito organização...
Enquanto ela se trocava, saí um pouquinho do quarto e fui atrás do
Miele:
- Ei, cara, sua filha tá por aí? é que tem alguém intediada aqui e
eu pensei que elas poderiam brincar...
- Tá sim e minhas duas sobrinhas também estão, na piscina. Se quiser eu
levo sua filhota até lá pra ti.
- Valeu amigão... só vou esperar ela terminar de se arrumar.
Quando Alessia saiu do quarto, já pronta, pedi pra ele acompanhá-la
até a piscina, voltei pra churrasqueira e nem me preocupei mais. Achei
que a filha do Miele e as primas podiam fazê-la se divertir um
pouquinho. Mais ou menos uma hora e meia depois, todos fomos almoçar.
Me encarreguei de levar carne pras garotas. Queria ver como minha
lindinha estava... Encontrei-a sentada em um canto meio afastada das
outras.
- O que foi, meu anjo? Por que está aí? As outras não querem brincar
com você? - Falei baixinho para que não ouvissem.
- Não, pai... eu que não quis entrar na água... não estou com a
mínima vontade e pra me manter seca resolvi ficar longe até dos
espirros que elas estão jogando pra tudo que é lado....
- Quer voltar pra churrasqueira com o papai?
- Não sei... o que eu quero de verdade é ir pra casa...
- Hum, já vi que odiou mesmo, né meu anjo? Já sei, da
próxima vez, venho sozinho e ligo antes pra casa da sua amiguinha e
vejo se você pode ficar lá com ela, tá?
- ótima idéia, tudo pra não vir aqui outra vez...
- Não exagera, filha... então dê tchau pras meninas e vamos voltar
lá comigo...
Nos despedimos delas e voltamos pra churrasqueira. Ficamos por ali
até a hora de ir embora. Fiquei meio envergonhado pela cara de
alívio da Alessia quando anunciei que estávamos de saída, mas fazer o
que, né? Demos tchau pra todo mundo, fomos lá trocar de roupa e quando
chegamos no quarto eu perguntei:
- Você foi ao banheiro?
- Claro que fui, pois tinha um ao lado da piscina.
- é, porque sabe que a viagem é longa e podemos pegar trânsito.
- Mas não se preocupe, eu já me preveni, tá? - Falou ela meio seca.
- O que eu já te disse sobre falar assim comigo?
- Desculpa.
- Ok, vamos embora.
Pegamos as coisas todas e entramos no carro, ela com os benditos
fones de ouvido... "ai, bem que um dia eu podia quebrar essa porcaria e
parecer que foi um pequeno acidente né? Pare de pensar besteira,
Matteo... coitada da menina...." Falei baixinho comigo mesmo.
Há uma certa altura do caminho, só vi de longe o tamanho da fila de
carros na minha frente. O trânsito estava simplesmente parado!
CONTINUA!!!
MATTEO
Ai ai... depois daquele momento de lembranças não consegui prestar
atenção em mais nada... acabou que nem esperamos o final do filme, fomos
deitar, mas não consegui dormir logo. "Serena, minha querida... nossa
filha se parece tanto com você... espero que de onde você estiver, saiba
que estou cuidando dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo,
do jeito que você me pediu quando estava naquele hospital..." Eu pensava
comigo e depois me lembrava do rosto dela quase perdendo a expressão e
dizendo: "por tudo que há de mais sagrado, cuide de nossa Alessia e
nunca deixe que nada aconteça a ela..." é o que tenho feito e de
onde estiver, espero que esteja feliz com os resultados, meu amor...
Tentei afastar logo esses pensamentos, me lembrando do que teria pra
fazer no dia seguinte. Eu tinha o aniversário de um amigo pra ir no
sítio dele e além do mais, eu que ia fazer o churrasco. Sem querer me
achar, mas sempre que tem uma festa os meus amigos me encarregam de
cuidar disso porque dizem que o melhor churrasco quem faz sou eu! Já
fiquei um pouco mais aliviado e consegui pegar no sono.
Na manhã seguinte, levantei, fui ajeitar algumas coisas pra dar o
tempo extra da minha florzinha dormir. Eu sabia que ela não gostava
muito desse tipo de passeio, a final, além de não gostar de mato ainda é
alérgica à picada de bichos. Mas ela precisava ir comigo. Não seria
louco de deixá-la sozinha em casa em pleno domingo o dia inteiro e o
sítio era longe e nenhum celular pegava. Se acontecesse algo? Deus me
livre... Terminei de arrumar minhas coisas e fui chamá-la:
- Bom dia Filhota... Vamos acordar? Hoje iremos pra um lugar MUITO legal!
-Hum... Já? Mas tá cedo pai ... É domingo, por que o senhor tá me acordando a essa hora? - Disse ela ainda de olhos fechados e se virando pra parede. Eu só ouvi
o barulho do plástico da fralda encharcada dela roçando contra os lençóis.
- Filha, lembra do amigo do papai? O Tio Miele?
- Acho que lembro ... Que que tem?
- Então, hoje é aniversário dele e tem churrasco no sítio dele... Não quero que
você fique aqui sozinha.
- Ah não, pai, Mato, bicho... Sabe que eu odeio isso!
- Eu sei, mas la é longe... Vai que acontece alguma coisa aqui e meu celular não pega? Não tenho como te deixar...
-Tá bem, Não tem jeito mesmo né? - Disse ela se virando pra mim e abrindo os olhos.
- Deixa o papai te trocar pra você ir tomar banho e se arrumar.
Por incrível que pareça, dessa vez ela não falou nada sobre o jeito com que falei com ela.
Puxei o edredom e as cobertas e exatamente como imaginei, a fralda estava encharcada. Abri as fitas com todo cuidado, dei uma limpadinha de leve com os lencinhos
e mandei ela pro chuveiro.
- Filha, quando sair do banho, arrume uma malinha com uma muda de roupa, necessaire e
Biquini.
- Tá bem pai! Já já te encontro la embaixo.
Como eu ja tinha separado minha roupa, chinelo e etc, desci pra pegar meu avental e a maleta de facas, pro Miele e o pessoal da empresa é a minha marca registrada,
se me vêem descendo do carro com a maleta, sabem que vão comer no estilo banquete.
Em 10 minutos a Alessia desceu e eu perguntei:
- Pegou tudo, filha?
- Sim, pai... Puff... - Disse ela bufando.
- Certeza? Chinelo, desodorante e seu repelente?
- Ai, tinha esquecido do repelente! -
E ja foi subindo a escada de novo.
- Viu só? Se não sou eu pra te lembrar ... Aliás,, espera...
- Que foi, pai?
- Pegou uma fralda, amorzinho?
- Pra que? Eu não vou precisar ....
- Eu acho melhor você levar, ou então ir com uma, além do caminho não ser muito curto, vai que
você esquece de ir ao banheiro? Como eu sei que vai se distrair
e se divertir, pode ser que aconteça alguma coisa ... E eu quero que esteja segura ....
- Não vou esquecer de ir ao banheiro, Pai! E não vou levar fralda nenhuma ... E se alguém ver? Vai ser a
maior vergonha! Nunca mais vou sair de casa!
- Ei, primeiro de tudo, baixe o tom de voz comigo, mocinha. Estou falando pro seu bem.
Temos uma opção, quando fui comprar a suas fraldas, vi um outro tipo mais discreto, que parece uma calcinha. No caminho passamos na farmácia e compramos, chegando
la você põe e fica tranquila...
- Eu NÃO VOU USAR FRALDA DE DIA! -
Berrou ela pra mim.
- Ja sabe que se berrar assim comigo de novo vamos ter outro tipo de conversa né?
Sou paciente até demais, mas eu ainda mando aqui. Então chega. Entendidos?
- Sim senhor... - Disse ela ja armando a carinha de choro.
- E sem chorar, nada te fiz...pega sua malinha e vamos.
Pegamos nossas coisas, e fomos saindo de casa. A Alessia ligou os fones de ouvido e foi em direção ao carro ainda pisando meio forte, eu nem dei muita bola pra
não piorar o clima pois odeio vê-la chorar. Mesmo quando ela era bebê, eu faria qualquer negócio pra ela parar de chorar, até malabarismo com uma bola de praia no
nariz!
Entramos no carro e fui dirigindo em direção à estrada, o sítio do Miele ficava a uns 75Km, bem longinho até ... Como ela
estava com os fones e não queria papo, eu
liguei na Radio Rock e fui cantando junto, me distraí e:
- Ai! Porca Miseria! Ó o pedágio aí, esqueci de passar na farmácia!
Ela só tirou os fones, fez uma cara de alívio, e abriu um sorrisinho tímido.
- É ... Parece que você se deu bem hein, filhota?
Mais um sorrisinho tímido, uma carinha de sem-vergonha que só ela sabe fazer e os fones de volta.
Dirigi até o portão do sítio, dei duas buzinadinhas e la veio o segurança abrir.
Entrei com o carro, encostei e fui recebido pelo próprio aniversariante:
- ê Matteo! Bem-vindo amigão!
- Parla Miele! Tranqueira vecchia! Parabéns, fratellino!
- Fala português, carcamano! Que droga! Hahahaha -
Disse o Miele tirando onda com o meu italianismo, ele odeia quando falo meu idioma nativo perto dele, único detalhe é que eu faço de propósito! Caímos na risada,
e só aí que eu percebi que a Alessia não tinha descido do carro ainda. Dei a volta no carro, abri a porta e falei:
- Filha, vamos?
Ela corou de vergonha, soltou o cinto de segurança e foi descendo devagarzinho...
Ficou parecendo quando tinha 3 anos, grudou na minha cintura e escondeu a cara, não queria falar com o Miele, eu dei um toquinho em seu ombro e falei no ouvidinho
- Filhota, dê os parabéns pro Tio Miele, vai... Não me faz passar vergonha, por favor.
Vou pegar as coisas no porta-malas.
Ela se soltou de mim e foi dar um abraço super tímido no Miele:
- Parabéns, Tio ... Tudo de bom, viu? -
Disse baixinho, meio sem jeito.
- Obrigado, querida! - Agradeceu ele.
Eu abri o porta-malas, peguei nossas malas e minha famosa maleta de facas, quando o Miele viu, ele só gritou querendo chamar atenção do pessoal:
- Eita, la vem a maleta! Segura o Italiano se não hoje ele assa um boi inteiro!
- Madonna Santa hein Miele? Que escândalo... Hahaha
Só vou alimentar o povo direito, como sempre...
Me mostra o caminho pra eu começar a ajeitar as coisas, vai! -
Falei pra ele e me virei pra Alessia:
-Filha, vêm comigo, já já a gente vai deixar as coisas no quarto.
Ela veio quietinha, tímida, meio mal-humorada ainda, não querendo ficar ali.
Chegando lá na churrasqueira, comecei a ajeitar tudo e fiz sinal pra
Alessia se sentar em uma cadeira que tinha por ali. Ela se sentou e
continuou com aquela mesma cara de pouco caso enquanto eu já começava a
preparar o churrasco. Lá pelas tantas, pedi pros amigos ficarem de olho
um instante enquanto eu subia pro quarto guardar as malas. Peguei minha
bicudinha amada pela mão e fomos. Lá chegando, coloquei as coisas no
chão, sentei em um sofá que tinha e dei dois tapinhas para que ela
fizesse o mesmo.
- Filha, qual o motivo dessa cara tão feia? As pessoas ficam te olhando
de mal jeito, sabia?
- Ah, pai, você sabe que eu estou muito contrariada aqui. Não pode
me culpar pelo meu humor.
- Mas tem uma coisa que eu acho que vai gostar... te contei que
o Miele tem uma filha da sua idade? Ela deve estar aí!
- Hum... com certeza deve ter sido obrigada a vir assim como eu e tá
no maior tédio...
- Ou não... Aqui tem uma piscina bem grande e se ela estiver aí,
provavelmente é lá que vamos encontrá-la. Agora vai, ponha o seu biquini
e bora pra piscina! - Tentei soar um pouco mais animador.
Ela apenas deu um suspiro e começou a procurar o biquini na mala
perfeitamente arrumada. De uma coisa eu não posso reclamar, minha filha
puxou a mim no quesito organização...
Enquanto ela se trocava, saí um pouquinho do quarto e fui atrás do
Miele:
- Ei, cara, sua filha tá por aí? é que tem alguém intediada aqui e
eu pensei que elas poderiam brincar...
- Tá sim e minhas duas sobrinhas também estão, na piscina. Se quiser eu
levo sua filhota até lá pra ti.
- Valeu amigão... só vou esperar ela terminar de se arrumar.
Quando Alessia saiu do quarto, já pronta, pedi pra ele acompanhá-la
até a piscina, voltei pra churrasqueira e nem me preocupei mais. Achei
que a filha do Miele e as primas podiam fazê-la se divertir um
pouquinho. Mais ou menos uma hora e meia depois, todos fomos almoçar.
Me encarreguei de levar carne pras garotas. Queria ver como minha
lindinha estava... Encontrei-a sentada em um canto meio afastada das
outras.
- O que foi, meu anjo? Por que está aí? As outras não querem brincar
com você? - Falei baixinho para que não ouvissem.
- Não, pai... eu que não quis entrar na água... não estou com a
mínima vontade e pra me manter seca resolvi ficar longe até dos
espirros que elas estão jogando pra tudo que é lado....
- Quer voltar pra churrasqueira com o papai?
- Não sei... o que eu quero de verdade é ir pra casa...
- Hum, já vi que odiou mesmo, né meu anjo? Já sei, da
próxima vez, venho sozinho e ligo antes pra casa da sua amiguinha e
vejo se você pode ficar lá com ela, tá?
- ótima idéia, tudo pra não vir aqui outra vez...
- Não exagera, filha... então dê tchau pras meninas e vamos voltar
lá comigo...
Nos despedimos delas e voltamos pra churrasqueira. Ficamos por ali
até a hora de ir embora. Fiquei meio envergonhado pela cara de
alívio da Alessia quando anunciei que estávamos de saída, mas fazer o
que, né? Demos tchau pra todo mundo, fomos lá trocar de roupa e quando
chegamos no quarto eu perguntei:
- Você foi ao banheiro?
- Claro que fui, pois tinha um ao lado da piscina.
- é, porque sabe que a viagem é longa e podemos pegar trânsito.
- Mas não se preocupe, eu já me preveni, tá? - Falou ela meio seca.
- O que eu já te disse sobre falar assim comigo?
- Desculpa.
- Ok, vamos embora.
Pegamos as coisas todas e entramos no carro, ela com os benditos
fones de ouvido... "ai, bem que um dia eu podia quebrar essa porcaria e
parecer que foi um pequeno acidente né? Pare de pensar besteira,
Matteo... coitada da menina...." Falei baixinho comigo mesmo.
Há uma certa altura do caminho, só vi de longe o tamanho da fila de
carros na minha frente. O trânsito estava simplesmente parado!
CONTINUA!!!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 3
Vamos à 3ª parte do conto, galera! Essa é de chorar....
ALESSIA
Não, eu só podia estar tendo um pesadelo! Na minha idade ter que
voltar a usar fraldas? Como eu sempre costumo dizer quando o negócio
fica feio, joguei pedra na cruz. Eu não me conformava. Tudo bem que era
só pra hora de dormir, mas mesmo assim estava me sentindo uma pirralha de
2 anos de idade com aquelas fraldas e pijama. Ainda pra ajudar, meu pai
me viu nua. "Deus, diz que essa humilhação vai acabar logo, por
favor..." Rezei em pensamento levantando a mão direita. Nem vontade de
dormir eu tinha mais. Fiquei lá na internet vendo qualquer coisa e só
fui deitar mesmo quando o tédio veio. O outro dia seria sábado, então
não tinha que acordar cedo.
Já deviam ser umas 10 da manhã quando o
velho veio me chamar. Odeio ficar assim, mas eu estava com um misto de
vergonha e "raivinha" dele...
- Hora de acordar, minha dorminhoca... - Disse já com a mão nas
cobertas pra puxar.
- Ai pai, hoje é sábado... me deixa dormir... - eu respondi com voz
de sono e sem abrir os olhos.
- Mas já passam de 10:30, lembra que eu falei que íamos aproveitar o
dia? Pensei em darmos uma volta no parque e fazer algumas outras coisas,
que tal?
- Ah, sei lá...
- Hum... ainda tá magoadinha com papai, é? - Disse ele passando a
mão no meu rosto.
Quando ele fala assim eu derreto por dentro, mas não gosto muito de
dar o braço a torcer, sou dura na queda!
- Tente se colocar no meu lugar só um pouquinho. Não é fácil pra eu
me acostumar com o que aconteceu e...
- Eu sei, amorzinho, - papai me interrompeu. - mas pense no lado
bom... pelo menos sua caminha não fica molhada e cheirando mal.
- é, pode ser.
- ah, filhota, desfaça esse biquinho e vamos aproveitar o dia lindo
que está lá fora, isso vai te fazer distrair a cabeça também...
Resolvi levantar sem nada dizer. Quando me mexi, senti o peso
daquela fralda.
- Vamos ver se a bebê molhou a fraldinha? - Disse meu pai com uma
voz infantilizada.
- Pai, pelo amor de Deus, eu já pedi pra você não me tratar assim!
- ai de novo? Desculpa, filha... eu ainda vou me acostumar...
- é bom, porque já basta eu ter que suportar a humilhação de usar
isso.
Ele ficou quieto e começou a me despir. Pro meu azar, a fralda
estava quase vazando.
- Nossa! Essa foi por pouco... - Disse ele removendo-a e me
limpando.
- Que porcaria... - Disse eu baixinho e tampando a boca.
- Como? Não ouvi, meu anjo... tire a mãozinha da boca pra falar.
- Ahn, nada não, pai, só pensei alto...
- Tá, agora vá se arrumar, mas não tome banho ainda. Deixe pra fazer
isso quando voltarmos porque vamos dar uma corridinha no parque.
- Corridinha? ai ai... não gosto disso, mas vou fazer uma caridade
pro senhor...
- Hum, como é generosa essa minha filhota... agora ande de uma vez
que depois do parque quero te levar pra almoçar naquele lugar que você
gosta.
- Opa, aí a conversa muda...
- Interesseira! Te pego, hein?
- Depois tá, pai? Agora vou pro banheiro.
Fui lá, escovei os dentes, ajeitei o cabelo, me vesti e desci. Ele
já estava me esperando com um pequeno sanduíche e um copo de coca.
- Aqui está, pra você não ficar com tanta fominha até a hora do
almoço...
- Ah, valeu, pai... mas você ainda continua falando comigo daquele
jeito...
- Ai ai... um dia eu juro que aprendo. - Disse ele mordendo um
pedaço do seu sanduíche.
Eu também comecei a comer em silêncio. Assim que terminamos,
juntamos as poucas louças que estavam na mesa, ajeitamos a cozinha e
saímos.
Fomos andando até o parque. Quando estávamos quase chegando lá, meu
pai disse:
- Vamos apostar uma corrida? Tudo bem que eu tenho quase certeza que
já ganhei, mas...
- Iiii, nem vem! Eu corro mais que você, já não tem idade pra
sair a toda velocidade por aí! - Disse eu já largando sem nem esperar
ele tomar fôlego.
- Espere, trapaceira! isso não vale...
Eu já estava no mínimo há uns 50 passos à frente.
- Vem me pegar, pai! Não diz que sabe correr? Então prova!
Continuei correndo, mas como não estava muito acostumada, logo
cansei e ele me pegou.
- Consegui, sua sem-vergonha! - Disse, me abraçando
- Tá bom, vai... essa acabou comigo... - Eu rebati, ofegante.
- Ow tadinha... que tal tomarmos uma água de coco agora?
- ótima idéia.
Compramos a água de coco, tomamos e depois ele falou:
- Olha, filha, e se a gente for ver os patinhos como fazíamos quando
você era criança?
- Você que sabe...
- Tem certeza?
- Vamos...
Demos as mãos e fomos pra perto da lagoa olhar os lindos
patinhos que lá estavam. Nos sentamos na grama, papai passou o braço em
volta do meu ombro e quando olhei pro seu rosto, vi que estava com uma
expressão que eu não sabia descrever bem, mas parecia um pouco triste
- O que houve, pai? Tá tudo bem?
- Sim, filha... só acho que ando meio nostálgico... sabe, olhando os
patinhos aqui, igualzinho fazíamos quando você era pequenininha...
Eu cheguei mais perto e o abracei forte.
- Pai, eu te amo muito... sei que um dia vou ter que crescer, mas
nunca vou deixar de ser sua filhinha...
- Eu sei, meu anjo, a verdade é que pros pais os filhos realmente
nunca crescem e pra mim você vai ser sempre minha bebezinha... sabe,
ontem a hora que fui te arrumar pra dormir me deu uma coisa assim que...
E aqui ele se calou e seus olhos encheram de lágrimas.
- Pai, tem certeza que tá tudo bem?
- Ahn, tá sim, filha... - ele disse e respirou fundo, como que pra
afastar as lágrimas.
- Acho que já podemos ir... ainda quero te levar pra almoçar,
lembra?
- Ah, é verdade, então vamos.
Me levantei e quando ele fez o mesmo, como não tinha ninguém perto
eu o surpreendi com um daqueles meus abraços de urso tão seus
conhecidos.
- Ai nossa, fazia tempo que você não me dava esse abraço! - Disse
com uma voz meio gemida porcausa do aperto.
- Hum, não gostou? Devolve... - respondi com um biquinho do tipo só
pra fazer manha.
- Quer mesmo que eu devolva? - Disse ele já me pegando e me rodando
ali mesmo no meio do parque.
- ai ai,, para, para! Vou ficar tonta e além do mais ainda tem um
restinho do sanduíche que eu comi aqui e o senhor não quer que
volte, quer?
Ele me soltou e só pra sacanear eu fingi que ia colocar o dedo na
garganta.
- Ei, também não precisa forçar a amizade né, Alessia?
- Ah, pai, só pra não perder o costume...
- Uhum, sei... vai ver só...
- Então tenta me pegar! - Eu disse, saindo em disparada.
Ele veio atrás e dessa vez não conseguiu. Entrei em casa antes
e já fui subindo pra tomar banho. Só ouvi as risadas dele quando entrou.
Depois que nós dois estávamos prontos, saímos dessa vez de carro e
fomos almoçar no lugar que eu mais gostava. Comemos umas batatas e
outras coisinhas também. Quando estávamos indo embora,
ele falou com aquele sotaque puxado que eu acho engraçado:
- E então, italianinha da minha vida, que tal um gelato italiano
agora? Tem uma gelateria aqui perto...
- Hum, se quiser eu topo...
- Então vamos.
Fomos lá e cada um pediu um tipo de sanduíche de sorvete com
bolacha. Comecei a comer devagar como sempre, até que uma hora meu
pai pegou um guardanapo e passou no meu rosto dizendo:
- Sujou um pouquinho aqui, anjo...
- Pai, era só ter me avisado disfarçadamente que eu limpava, não
precisava ter feito isso por mim.
- Tá bom,, não precisa ficar bravinha... - disse ele me dando um
beijo babado de sorvete e me sujando mais ainda.
- Pai! aí não, né? - Eu disse e fiz o mesmo com ele.
- Pronto, agora estamos quites!
Ele tentou forçar uma cara séria, mas não conseguiu. Então, nos
limpamos e fomos pra casa. Lá chegando, como ainda era cedo resolvi ir
pro computador.
- Eita vício... - Falou ele lá da sala onde estava. - Se
puder, desce aqui pra gente assistir um filme mais tarde, tá?
Me senti até um tanto culpada.
- Ok, só vou ver se alguém me mandou alguma coisa e já desço... -
Falei me sentando na cadeira do computador.
Realmente só entrei um pouquinho, vi o que tinha que ver e desci lá
pra assistir.
- ó, até que enfim a madame arrumou um tempo pro pobre velho aqui
né?
- Iiii olha o drama... e então, que filme vamos assistir, velho?
- Olha, não fala assim comigo, garota!
- Foi o senhor que se chamou disso primeiro, não tenho nada a ver
com a questão.
- Hum, agora se faz de vítima, né? Pede desculpa... - Disse,
vindo pro meu lado com uma cara de quem ia aprontar comigo.
- Eu não, não fiz nada...
- A é? Vamos ver se pede desculpa ou não...
Começou a me fazer muitas cócegas e eu não conseguia parar de rir.
- E então?
- Hahahahaha paraaaa!
Em meio às risadas eu senti uma coisa que me deixou assustada,
comecei a me molhar! Dei um grito agudo.
- O que aconteceu, filha? - Disse ele olhando pra baixo e já
vendo com os próprios olhos a resposta da pergunta.
Eu não conseguia dizer nada, apenas comecei a chorar.
- Calma, lindinha, vamos já limpar isso... não fique assim, foi
minha culpa!
- Que tragédia... logo eu que não suporto nada sujo ainda mais em
mim!
- Essas coisas podem acontecer... mas diga olhando nos meus olhos,
você se esqueceu de ir ao banheiro, Alessia?
- Como assim? Claro que não... eu vou sempre que me dá vontade...
- Tem certeza? Fica tanto nesse computador que eu tenho sérias
dúvidas se você vai ao banheiro.
- Vou sim, pai... agora deixa eu ir me trocar, pelo amor de
Deus... - Disse eu já levantando e pegando o rumo do banheiro.
- Ei,, só uma coisa, acho que já vou te pôr a fralda, vai que
acontece de novo?
- AAAh tenha dó, né? Estamos no meio da tarde...
- Eu sei, mas não vamos mais sair e é melhor prevenir. Ah,, e tem
outra. Quem dá a última palavra aqui sou eu e você vai colocar a fralda
agora e pronto!
Quando ele fala assim é melhor eu ficar na minha... nunca levei um
tapinha nem de leve, mas tenho medo quando a bronca é nesse tom. Não me
restou outra saída a não ser ir pro banheiro e aceitar o que viria
depois. Tomei banho e quando ia saindo enrolada na toalha já estava ele
lá no meu quarto:
- Venha aqui, amor, vamos colocar a fralda...
- Ai meu Deus... por que isso? ainda não tá nem de noite...
- Mas veja só, é melhor pôr agora, que aí se você ficar distraída
depois não tem perigo de acontecer de novo.
- O que eu posso fazer, senão concordar?
- Filha, tudo isso é pro seu bem, minha vida...
Resolvi me calar. Não tinha jeito mesmo. Deixei que me colocasse a fralda
e fomos assistir um filme de comédia.
Quando estava mais ou menos na metade ele acabou cochilando e
encostando a cabeça no meu ombro. Deixei, mas como vi que estava
perdendo uma parte engraçada do filme, o chamei:
- Pai, você dormiu aí...
- Hum... ai filha, desculpa... perdi muita coisa do filme?
- Só umas partes engraçadas...
Nessa hora eu resolvi dar uma zoada. Claro que não tinha acontecido
isso, mas só pra ver o que ele ia dizer, fingi que estava limpando meu
ombro como se estivesse babado.
- Você dormiu tanto que chegou a me babar!
- Ah, poxa vida, não acredito que fiz isso!
- é, vai vendo. - E continuei "limpando" - Eu nunca fiz isso com
você...
- Tem certeza que não? Eu sei de uma história que é justamente sobre
isso...
- Duvido!
- Ainda tenho a prova... uma vez quando você devia ter uns 3
aninhos, acordou chorando e dizendo que tinha bicho no seu quarto. Eu
não disse nada, apenas te peguei e te levei pra minha cama. Quando
acordei no dia seguinte tinha alguém com a boquinha na minha testa e meu
travesseiro todo melado hahahaha
- AAAh, conta outra, essa não cola!
- Vou te mostrar a prova do crime então...
Ele levantou, foi até o quarto e voltou trazendo um album de fotos
com a capa vermelha escrito MEMÓRIAS e me mostrou uma foto onde
realmente estava eu ocupando só os travesseiros e o dele todo manchado.
Tentei disfarçar o pouquinho de vergonha que senti no fundo:
- Essa coisa gorda aqui era eu?
- Coisinha gordinha linda de papai, um pacotinho de fofura!
- Hum, até que eu não era feia...
Ele me imitou falando isso e completou:
- Era a coisa mais linda do mundo, um retrato perfeito de sua mãe...
- A mamãe... o senhor não fala muito dela... não tem nenhuma foto
pelo menos?
- Não, filha, sofri muito quando ela se foi e não suportei nem
guardar as fotos. A única lembrança que tenho dela está olhando pra mim
agora...
Não pude conter uma lágrima que quis sair. deixei ela rolar.
- Eu queria tanto ver como ela era...
- Basta se olhar no espelho, meu anjo... Seu rosto é igualzinho ao
dela...
- Poxa vida... bom, vejo que lembrar dessas coisas te faz mal, então
não vamos mais falar disso, tá?
- Tá bom filha... sua mãe é a pessoa que mais amei na vida antes de
você nascer... depois dela eu não consegui gostar de mais ninguém...
- Chega pai... senão vou começar a chorar aqui...
Nos abraçamos e ficamos ali por um bom tempo.
CONTINUA!!!
ALESSIA
Não, eu só podia estar tendo um pesadelo! Na minha idade ter que
voltar a usar fraldas? Como eu sempre costumo dizer quando o negócio
fica feio, joguei pedra na cruz. Eu não me conformava. Tudo bem que era
só pra hora de dormir, mas mesmo assim estava me sentindo uma pirralha de
2 anos de idade com aquelas fraldas e pijama. Ainda pra ajudar, meu pai
me viu nua. "Deus, diz que essa humilhação vai acabar logo, por
favor..." Rezei em pensamento levantando a mão direita. Nem vontade de
dormir eu tinha mais. Fiquei lá na internet vendo qualquer coisa e só
fui deitar mesmo quando o tédio veio. O outro dia seria sábado, então
não tinha que acordar cedo.
Já deviam ser umas 10 da manhã quando o
velho veio me chamar. Odeio ficar assim, mas eu estava com um misto de
vergonha e "raivinha" dele...
- Hora de acordar, minha dorminhoca... - Disse já com a mão nas
cobertas pra puxar.
- Ai pai, hoje é sábado... me deixa dormir... - eu respondi com voz
de sono e sem abrir os olhos.
- Mas já passam de 10:30, lembra que eu falei que íamos aproveitar o
dia? Pensei em darmos uma volta no parque e fazer algumas outras coisas,
que tal?
- Ah, sei lá...
- Hum... ainda tá magoadinha com papai, é? - Disse ele passando a
mão no meu rosto.
Quando ele fala assim eu derreto por dentro, mas não gosto muito de
dar o braço a torcer, sou dura na queda!
- Tente se colocar no meu lugar só um pouquinho. Não é fácil pra eu
me acostumar com o que aconteceu e...
- Eu sei, amorzinho, - papai me interrompeu. - mas pense no lado
bom... pelo menos sua caminha não fica molhada e cheirando mal.
- é, pode ser.
- ah, filhota, desfaça esse biquinho e vamos aproveitar o dia lindo
que está lá fora, isso vai te fazer distrair a cabeça também...
Resolvi levantar sem nada dizer. Quando me mexi, senti o peso
daquela fralda.
- Vamos ver se a bebê molhou a fraldinha? - Disse meu pai com uma
voz infantilizada.
- Pai, pelo amor de Deus, eu já pedi pra você não me tratar assim!
- ai de novo? Desculpa, filha... eu ainda vou me acostumar...
- é bom, porque já basta eu ter que suportar a humilhação de usar
isso.
Ele ficou quieto e começou a me despir. Pro meu azar, a fralda
estava quase vazando.
- Nossa! Essa foi por pouco... - Disse ele removendo-a e me
limpando.
- Que porcaria... - Disse eu baixinho e tampando a boca.
- Como? Não ouvi, meu anjo... tire a mãozinha da boca pra falar.
- Ahn, nada não, pai, só pensei alto...
- Tá, agora vá se arrumar, mas não tome banho ainda. Deixe pra fazer
isso quando voltarmos porque vamos dar uma corridinha no parque.
- Corridinha? ai ai... não gosto disso, mas vou fazer uma caridade
pro senhor...
- Hum, como é generosa essa minha filhota... agora ande de uma vez
que depois do parque quero te levar pra almoçar naquele lugar que você
gosta.
- Opa, aí a conversa muda...
- Interesseira! Te pego, hein?
- Depois tá, pai? Agora vou pro banheiro.
Fui lá, escovei os dentes, ajeitei o cabelo, me vesti e desci. Ele
já estava me esperando com um pequeno sanduíche e um copo de coca.
- Aqui está, pra você não ficar com tanta fominha até a hora do
almoço...
- Ah, valeu, pai... mas você ainda continua falando comigo daquele
jeito...
- Ai ai... um dia eu juro que aprendo. - Disse ele mordendo um
pedaço do seu sanduíche.
Eu também comecei a comer em silêncio. Assim que terminamos,
juntamos as poucas louças que estavam na mesa, ajeitamos a cozinha e
saímos.
Fomos andando até o parque. Quando estávamos quase chegando lá, meu
pai disse:
- Vamos apostar uma corrida? Tudo bem que eu tenho quase certeza que
já ganhei, mas...
- Iiii, nem vem! Eu corro mais que você, já não tem idade pra
sair a toda velocidade por aí! - Disse eu já largando sem nem esperar
ele tomar fôlego.
- Espere, trapaceira! isso não vale...
Eu já estava no mínimo há uns 50 passos à frente.
- Vem me pegar, pai! Não diz que sabe correr? Então prova!
Continuei correndo, mas como não estava muito acostumada, logo
cansei e ele me pegou.
- Consegui, sua sem-vergonha! - Disse, me abraçando
- Tá bom, vai... essa acabou comigo... - Eu rebati, ofegante.
- Ow tadinha... que tal tomarmos uma água de coco agora?
- ótima idéia.
Compramos a água de coco, tomamos e depois ele falou:
- Olha, filha, e se a gente for ver os patinhos como fazíamos quando
você era criança?
- Você que sabe...
- Tem certeza?
- Vamos...
Demos as mãos e fomos pra perto da lagoa olhar os lindos
patinhos que lá estavam. Nos sentamos na grama, papai passou o braço em
volta do meu ombro e quando olhei pro seu rosto, vi que estava com uma
expressão que eu não sabia descrever bem, mas parecia um pouco triste
- O que houve, pai? Tá tudo bem?
- Sim, filha... só acho que ando meio nostálgico... sabe, olhando os
patinhos aqui, igualzinho fazíamos quando você era pequenininha...
Eu cheguei mais perto e o abracei forte.
- Pai, eu te amo muito... sei que um dia vou ter que crescer, mas
nunca vou deixar de ser sua filhinha...
- Eu sei, meu anjo, a verdade é que pros pais os filhos realmente
nunca crescem e pra mim você vai ser sempre minha bebezinha... sabe,
ontem a hora que fui te arrumar pra dormir me deu uma coisa assim que...
E aqui ele se calou e seus olhos encheram de lágrimas.
- Pai, tem certeza que tá tudo bem?
- Ahn, tá sim, filha... - ele disse e respirou fundo, como que pra
afastar as lágrimas.
- Acho que já podemos ir... ainda quero te levar pra almoçar,
lembra?
- Ah, é verdade, então vamos.
Me levantei e quando ele fez o mesmo, como não tinha ninguém perto
eu o surpreendi com um daqueles meus abraços de urso tão seus
conhecidos.
- Ai nossa, fazia tempo que você não me dava esse abraço! - Disse
com uma voz meio gemida porcausa do aperto.
- Hum, não gostou? Devolve... - respondi com um biquinho do tipo só
pra fazer manha.
- Quer mesmo que eu devolva? - Disse ele já me pegando e me rodando
ali mesmo no meio do parque.
- ai ai,, para, para! Vou ficar tonta e além do mais ainda tem um
restinho do sanduíche que eu comi aqui e o senhor não quer que
volte, quer?
Ele me soltou e só pra sacanear eu fingi que ia colocar o dedo na
garganta.
- Ei, também não precisa forçar a amizade né, Alessia?
- Ah, pai, só pra não perder o costume...
- Uhum, sei... vai ver só...
- Então tenta me pegar! - Eu disse, saindo em disparada.
Ele veio atrás e dessa vez não conseguiu. Entrei em casa antes
e já fui subindo pra tomar banho. Só ouvi as risadas dele quando entrou.
Depois que nós dois estávamos prontos, saímos dessa vez de carro e
fomos almoçar no lugar que eu mais gostava. Comemos umas batatas e
outras coisinhas também. Quando estávamos indo embora,
ele falou com aquele sotaque puxado que eu acho engraçado:
- E então, italianinha da minha vida, que tal um gelato italiano
agora? Tem uma gelateria aqui perto...
- Hum, se quiser eu topo...
- Então vamos.
Fomos lá e cada um pediu um tipo de sanduíche de sorvete com
bolacha. Comecei a comer devagar como sempre, até que uma hora meu
pai pegou um guardanapo e passou no meu rosto dizendo:
- Sujou um pouquinho aqui, anjo...
- Pai, era só ter me avisado disfarçadamente que eu limpava, não
precisava ter feito isso por mim.
- Tá bom,, não precisa ficar bravinha... - disse ele me dando um
beijo babado de sorvete e me sujando mais ainda.
- Pai! aí não, né? - Eu disse e fiz o mesmo com ele.
- Pronto, agora estamos quites!
Ele tentou forçar uma cara séria, mas não conseguiu. Então, nos
limpamos e fomos pra casa. Lá chegando, como ainda era cedo resolvi ir
pro computador.
- Eita vício... - Falou ele lá da sala onde estava. - Se
puder, desce aqui pra gente assistir um filme mais tarde, tá?
Me senti até um tanto culpada.
- Ok, só vou ver se alguém me mandou alguma coisa e já desço... -
Falei me sentando na cadeira do computador.
Realmente só entrei um pouquinho, vi o que tinha que ver e desci lá
pra assistir.
- ó, até que enfim a madame arrumou um tempo pro pobre velho aqui
né?
- Iiii olha o drama... e então, que filme vamos assistir, velho?
- Olha, não fala assim comigo, garota!
- Foi o senhor que se chamou disso primeiro, não tenho nada a ver
com a questão.
- Hum, agora se faz de vítima, né? Pede desculpa... - Disse,
vindo pro meu lado com uma cara de quem ia aprontar comigo.
- Eu não, não fiz nada...
- A é? Vamos ver se pede desculpa ou não...
Começou a me fazer muitas cócegas e eu não conseguia parar de rir.
- E então?
- Hahahahaha paraaaa!
Em meio às risadas eu senti uma coisa que me deixou assustada,
comecei a me molhar! Dei um grito agudo.
- O que aconteceu, filha? - Disse ele olhando pra baixo e já
vendo com os próprios olhos a resposta da pergunta.
Eu não conseguia dizer nada, apenas comecei a chorar.
- Calma, lindinha, vamos já limpar isso... não fique assim, foi
minha culpa!
- Que tragédia... logo eu que não suporto nada sujo ainda mais em
mim!
- Essas coisas podem acontecer... mas diga olhando nos meus olhos,
você se esqueceu de ir ao banheiro, Alessia?
- Como assim? Claro que não... eu vou sempre que me dá vontade...
- Tem certeza? Fica tanto nesse computador que eu tenho sérias
dúvidas se você vai ao banheiro.
- Vou sim, pai... agora deixa eu ir me trocar, pelo amor de
Deus... - Disse eu já levantando e pegando o rumo do banheiro.
- Ei,, só uma coisa, acho que já vou te pôr a fralda, vai que
acontece de novo?
- AAAh tenha dó, né? Estamos no meio da tarde...
- Eu sei, mas não vamos mais sair e é melhor prevenir. Ah,, e tem
outra. Quem dá a última palavra aqui sou eu e você vai colocar a fralda
agora e pronto!
Quando ele fala assim é melhor eu ficar na minha... nunca levei um
tapinha nem de leve, mas tenho medo quando a bronca é nesse tom. Não me
restou outra saída a não ser ir pro banheiro e aceitar o que viria
depois. Tomei banho e quando ia saindo enrolada na toalha já estava ele
lá no meu quarto:
- Venha aqui, amor, vamos colocar a fralda...
- Ai meu Deus... por que isso? ainda não tá nem de noite...
- Mas veja só, é melhor pôr agora, que aí se você ficar distraída
depois não tem perigo de acontecer de novo.
- O que eu posso fazer, senão concordar?
- Filha, tudo isso é pro seu bem, minha vida...
Resolvi me calar. Não tinha jeito mesmo. Deixei que me colocasse a fralda
e fomos assistir um filme de comédia.
Quando estava mais ou menos na metade ele acabou cochilando e
encostando a cabeça no meu ombro. Deixei, mas como vi que estava
perdendo uma parte engraçada do filme, o chamei:
- Pai, você dormiu aí...
- Hum... ai filha, desculpa... perdi muita coisa do filme?
- Só umas partes engraçadas...
Nessa hora eu resolvi dar uma zoada. Claro que não tinha acontecido
isso, mas só pra ver o que ele ia dizer, fingi que estava limpando meu
ombro como se estivesse babado.
- Você dormiu tanto que chegou a me babar!
- Ah, poxa vida, não acredito que fiz isso!
- é, vai vendo. - E continuei "limpando" - Eu nunca fiz isso com
você...
- Tem certeza que não? Eu sei de uma história que é justamente sobre
isso...
- Duvido!
- Ainda tenho a prova... uma vez quando você devia ter uns 3
aninhos, acordou chorando e dizendo que tinha bicho no seu quarto. Eu
não disse nada, apenas te peguei e te levei pra minha cama. Quando
acordei no dia seguinte tinha alguém com a boquinha na minha testa e meu
travesseiro todo melado hahahaha
- AAAh, conta outra, essa não cola!
- Vou te mostrar a prova do crime então...
Ele levantou, foi até o quarto e voltou trazendo um album de fotos
com a capa vermelha escrito MEMÓRIAS e me mostrou uma foto onde
realmente estava eu ocupando só os travesseiros e o dele todo manchado.
Tentei disfarçar o pouquinho de vergonha que senti no fundo:
- Essa coisa gorda aqui era eu?
- Coisinha gordinha linda de papai, um pacotinho de fofura!
- Hum, até que eu não era feia...
Ele me imitou falando isso e completou:
- Era a coisa mais linda do mundo, um retrato perfeito de sua mãe...
- A mamãe... o senhor não fala muito dela... não tem nenhuma foto
pelo menos?
- Não, filha, sofri muito quando ela se foi e não suportei nem
guardar as fotos. A única lembrança que tenho dela está olhando pra mim
agora...
Não pude conter uma lágrima que quis sair. deixei ela rolar.
- Eu queria tanto ver como ela era...
- Basta se olhar no espelho, meu anjo... Seu rosto é igualzinho ao
dela...
- Poxa vida... bom, vejo que lembrar dessas coisas te faz mal, então
não vamos mais falar disso, tá?
- Tá bom filha... sua mãe é a pessoa que mais amei na vida antes de
você nascer... depois dela eu não consegui gostar de mais ninguém...
- Chega pai... senão vou começar a chorar aqui...
Nos abraçamos e ficamos ali por um bom tempo.
CONTINUA!!!
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 2
Olá galera! aqui vai a segunda parte do conto e daí em diante, tive uma ajuda muito especial do meu papai e namorado que amo tanto, o Nick Infantilista. S2
Vamos lá então...
ALESSIA
Fui pra escola tão nervosa que nem sentia vontade de comer. Eu
realmente não sabia porque tinha me molhado à noite. Estava me sentindo
uma porca... fiz o maior esforço pra prestar atenção nas aulas e na hora
do intervalo fui me sentar em um canto, isolada das minhas amigas. Uma
delas viu que eu não estava afim de conversa e veio me perguntar o que
havia:
- O que aconteceu, Alessia? você está bem?
- é... bom, só estou com um pouco de dor de cabeça... quero ficar
aqui...
- Tá certo... eu e as meninas vamos assistir os meninos jogarem lá
na quadra, se quiser se juntar a nós, sabe o caminho.
- Ok, talvez eu vá lá um pouco mais tarde...
Minha amiga saiu e eu continuei lá sentada de cabeça baixa. A
verdade era que eu não queria nem ver, nem conversar com ninguém, só
queria entender o que tinha acontecido comigo. O resto do tempo na
escola demorou a passar. Quando deu o horário da saída, peguei minhas
coisas e tomei o rumo de casa. Infelizmente meu pai não podia ir me
buscar pois não saía do trabalho na hora do almoço, então eu tinha que
voltar a pé. Cheguei, almocei o prato que ele havia deixado pra mim no
microondas e peguei os deveres que não eram poucos pra fazer. Estava tão
entretida com isso tudo que até tinha me esquecido do acontecido da
noite passada. Nem sei que horas eram quando ouvi o barulho do carro
sendo guardado na garagem e ele abrindo a porta com sua chave.
- Alessia! - Chamou ele lá do andar de baixo mesmo.
- Estou aqui no quarto estudando, pai.
- Desce aqui, quero falar com você!
Nessa hora eu gelei. "Não é possível que vá descascar o tomate
em cima de mim porcausa de ontem à noite..." eu pensava enquanto ia
descendo as escadas em passos lentos.
- Sente-se aqui ao meu lado. - Disse ele batendo no sofá assim que
cheguei lá em baixo.
Me sentei e comecei a roer as unhas olhando pro chão.
- Pare de roer essas unhas e olhe pra mim, por favor. - Continuou em
tom firme.
Eu obedeci, mas fiquei tremendo.
- Bom, hoje sua cama amanheceu molhada. Como você me explica isso?
Tomou muito líquido antes de dormir?
- Não, pai, só tomei um copo de coca na hora do jantar que você
viu... realmente não sei o que aconteceu...
- Tudo bem, meu anjo, não precisa ficar nervosa, eu só estou
conversando contigo... isso não acontece mais desde que você tinha 4
anos...
- Eu juro que não vai se repetir...
- Não precisa jurar, acidentes acontecem. Agora vamos jantar...
A hora de comer, que sempre era muito boa, conversávamos, ríamos e
tal, naquele dia foi tensa, quieta... eu não tinha vontade nem de olhar
pra ele direito. Depois que terminamos, limpamos a cozinha e cada um foi
pro seu canto, ele pro quarto dele e eu pro meu, ficar mexendo no
computador. Nem achei graça em nada que via na internet. Não demorou
muito e já fui dormir, mas antes passei no banheiro pra garantir que não
molharia a cama novamente.
MATTEO
Odeio esses momentos em que tenho de falar daquele jeito com minha
pequena... a carinha que ela me faz é de cortar o coração, mas como pai,
às vezes preciso ser firme. Nem conversamos na hora do jantar. Queria
saber o que ela estava sentindo como sempre faço, mas aquele não era o
momento. depois de deixar tudo no jeito na cozinha fomos dormir.
no dia seguinte a mesma coisa. Meu despertador que ainda mantenho a
promessa de tacar na parede me acordou com seu grito agudo. Levantei,
fui me ajeitar já pra dar os 10 minutos extras da minha Maria
dorminhoca, tomei meu costumeiro café e fui lá para o quarto dela.
- Vamos levantando, dona preguiçosa, já te dei seus 10 minutos,
agora estamos em cima da hora.
Ela como sempre só deu aquele gemidinho básico sem nem me olhar e eu
tive que apelar de novo pro puxão de cobertas. Qual não foi a minha
surpresa quando fiz isso e...
- Ai Alessia... outra vez a cama molhada?
- Pai eu...
- O que está acontecendo com você, meu anjo?
- Juro, não sei! - disse ela já enchendo os olhos de lágrima.
Respirei fundo e tentei me acalmar, não queria brigar logo cedo.
Mandei que fosse pro banho e como no dia anterior, tirei as roupas
molhadas já pensando no que fazer. Quando ela saiu do banheiro toda
arrumada pra ir à escola eu só disse:
- Precisamos ver isso aí... não vou dar conta de ficar lavando
roupas molhadas sempre.
- Pai, eu juro pelo que você quiser que não sei o que me acontece! -
Disse ela fungando.
- Tá, não precisa chorar, vamos pensar no que fazer mais tarde.
Agora come seu lanche que já estamos atrasados.
Vi que ela comeu na marra e que sua expressão era de tristeza, mas
eu nada podia fazer a não ser pensar em como resolver o problema.
Entramos no carro e fui levá-la pro colégio. Ela ainda com carinha triste e demonstrando nervosismo, ligou a música no celular e colocou os fones, ou seja,
não estava pra papo.
Como pegamos trânsito, fui pensando no caminho o que faria pra resolver o problema dos
"acidentinhos". Até que tive uma súbita lembrança da Dra. Tereza, a médica
pediatra dela. Pode parecer estranho, mas a Alessia ainda não tinha passado pela mudança de menina pra mocinha. Tentei chamá-la com um toquinho no ombro:
-Filha?
Ela nem respondeu. Tentei dois toquinhos e falei um pouquinho mais alto:
- Alessia! To falando com você amorzinho ...
De novo, sem resposta ... Resolvi apelar, tirei um dos fones de ouvido da orelha dela e chamei:
- Alessia, To te chamando, poxa!
Sim, ela virou a cara com uma expressão de que queria me morder, mas falou:
- Que que foi pai?
- Ei, baixa o tom comigo, mocinha. Nada de levantar a crista, ja sabe né?
- Tá bom papai, desculpa ...
- Tudo bem, ta desculpada meu amor. Agora me escuta, lembrei que faz um tempão que não vamos na Dra. Tereza, então decidi te levar hoje. Vou ligar la agora
de manhã e tentar conseguir um encaixe. Assim que você sair da aula, me liga que vou te buscar pra irmos pra consulta.
- Maaass, paaai! Eu não sou mais criança ... Ela é pediatra ...
- Filha, sem mais nem menos, vai e pronto. Temos que descobrir o porque desse xixi na cama.
- Ai pai, não me deixa com mais vergonha! E mesmo assim, hoje não vai dar ... Tenho que ir na casa da minha amiga fazer um trabalho pra segunda-feira ... Vou
passar a tarde la, a mãe dela vem buscar a gente.
- Tá bem, deixe que eu ligo pra Dra. E se der passo la pra conversar com ela.
- Disse com tom desconfiado, ja meio que sabendo que a Alessia não estava nem um pouco afim de ir no médico ...
Chegamos na escola, deixei ela na porta e me despedi com um beijo no rosto.
Fui indo pro escritório e esperando dar 8 da manhã pra ligar pro consultório.
Cheguei no trabalho, ja esperando aquela tonelada de reclamações, já que cuido do RH da companhia toda, inclusive fora do país e só me chamam pra resolver pepino
e descascar abacaxi. Fui surpreendido por uma manhã tranquila, consegui ligar pra Dra. as 10.
- Alô? É do consultório da Dr.a Tereza?
- Sim, Ela mesma. Quem deseja?
- Quem fala é Matteo, Di Napoli. Pai da Alessia ... Lembra-se?
- Claro, muito bem! Como anda minha queridinha?
- Bem, mas temos um pequeno problema ...
- Sinto tom pesado na sua voz Sr. Di Napoli, pode me contar ...
- é que a Alessia anda tendo uns "acidentinhos" de noite ... Ela voltou a fazer xixi na cama ....
- Calma Sr. Di Napoli, isso é normal. Na idade dela as mudanças no corpo acontecem muito rápido, mas a mente as vezes não acompanha ... Muitas adolescentes
da idade dela passam por isso.
- É mesmo Dra.? -
Disse com tom surpreso e me acalmando. Mas continuei:
- E o que a Sra. Sugere como solução?
- Olha, eu sugiro a adoção de fraldas a noite ... Mas lembre-se que se os acidentes progredirem para o período diurno, não perca tempo, adote as fraldas 24hs
e traga ela aqui para uma visitinha de rotina, ok?
- Claro Dra., sem problemas ... Ela vai ser resistente, mas ... Não tem jeito ...Obrigado e Bom dia!
- Bom dia Sr. di Napoli! Estou às ordens!
Desliguei o telefone e continuei a trabalhar. Fui almoçar como sempre com o pessoal do escritório e fiquei
pensando na questão de comprar ou não as Fraldas
pra Alessia. Decidi que iria comprar e fazer uma surpresa pra ela assim que saísse do trabalho.
Consegui terminar tudo antes do fim do expediente, por volta de umas 16:30 ... Saí e fui direto comprar as fraldas. Comprei um pacote de TENA, disseram na farmácia
que eram as melhores do mercado. Além disso comprei tudo pra higiene dela, evitar as assaduras era de suma importância. Fui até em casa e deixei
as fraldas e tudo mais no meu quarto. Liguei pra Alessia:
- Filha? Tudo certinho aí na casa da sua amiga?
- Tudo sim pai, estamos quase terminando o trabalho.
- Posso ir te buscar umas 18:30?
- Pode sim!
- Pergunte pra sua amiga se ela não quer vir comer uma pizza com a gente, depois a levo embora.
- Tá bem pai, vou ver aqui, até mais tarde! Beijo!
- Beijo!
Como combinamos, passei as 18:30hs pra buscá-la na casa da amiga, que era bem longe de onde moramos, mas não me importei, queria fazer um agradinho pra ela
antes de dar a notícia de que ela iria dormir de fraldas ...
Chegando la ela estava me esperando no portão, abri a porta do carro e ela entrou. Quando ia ligar os fones de ouvido, chamei:
- Alessia, cadê sua amiguinha? Nós não iamos comer pizza?
- Ah, pai, ela não quis, disse que outro dia vai com a gente ...
- Certo, mas ... O que a minha princesinha acha de curtir uma pizza e coca-cola com o velho aqui? - E fiz umas
coceguinhas nela.
- Ai papai, pára! Pára, pára, por favor! HAHAHAHAHA
E caiu na gargalhada.
- E então, topa?
- Quero sim, mas vamos em casa, não to no clima de sair.
- Disse ela meio desanimada.
-Humm, tá bem, depois me explica o porquê desse tomzinho de desânimo aí ....
- Não é nada pai, relaxa ...
Eu relaxei e fomos pra casa comer pizza.
Chegamos lá, pedimos a pizza, Alessia foi esperar no quarto, como sempre enfurnada naquele bendito computador ... Ai ai ai ... Qualquer hora cancelo esse
plano de internet ilimitado...
Quando chegou, sentamos pra comer, comemos, demos umas risadas e ela ja ia subindo com um copo de coca-cola, é o
refrigerante preferido dela.
Antes disso eu chamei :
- Filha, nem sobe. - Ela gelou, parou onde estava e foi descendo a escada devagar.
- Senta aqui do lado do papai.
E dei dois tapinhas no sofá, onde me sentei também.
- Precisamos conversar ...
Ela simplesmente me olhou com cara de "to ferrada" e não falou nada, só sentou e começou a roer as unhas de novo.
- Alessia, filhota ... Relaxa ... Sabe que papai não morde. Tira a mãozinha da boca meu anjo.
Ela tirou a mão, parou de roer as unhas, e me olhou fundo, com cara de choro já.
- Calma ... Nem falei nada ainda.
- Tá bem, pai... Fala vai...
- Olha, eu falei com a Dra. Tereza hoje e ela me deu uma solução muito boa pros seus "acidentinhos" ...
- Que solução? - Disse ela com um olhar de susto e choque.
- Bom, sobe pro seu quarto. Ja te encontro lá, é mais fácil ...
- Iiiii, não to gostando disso ....
E subiu, desconfiada e assustada.
Eu fui logo em seguida, passei no meu quarto e peguei o pacote de fraldas, os lencinhos, talco e pomada pra assaduras que tinha comprado. Fui indo até o quarto
dela com tudo escondido atrás das costas e entrei.
- Senta aí na cama...
Ela saiu do computador, tremendo e sentou-se.
- Fala pai, que que é a solução?
- Tá aqui meu anjo.
E mostrei as fraldas e tudo o mais.
- O quê?!?! Eu não acreditooo! É mentira ...
E desabou a chorar.
- Eu ... Não... Vou ... Usar ... Isso! (snif, snif) De jeito nenhum!
E chorava mais e mais alto.
Eu a abracei forte, e sequei suas lágrimas.
- Calma filha, será só por um tempo. A Dra. Tereza disse que é normal isso acontecer com meninas da sua
idade.
Ainda no abraço, continuei acariciando os lisos cabelos castanhos dela.
- Amorzinho, será o nosso segredinho, de noite papai te troca antes de dormir e você não acorda mais molhada ....
Ela saiu do abraço, parou de chorar e me olhou:
- Pera aí, você ainda que vai me trocar? Aaah, não! Aí ja é demais!
- E caiu no choro de novo.
- Sozinha você não vai conseguir... Não é tão simples assim. Eu fiz isso muito quando
você era pequena, não
terá problema nenhum...
- O problema não é a fralda, É o senhor me ver como vim ao mundo ... Não sou mais criancinha, pai!
- Deixa de bobagem ... Sou seu pai, te Cuidar pra mim é obrigação, meu anjo.
- Não quero que o senhor me veja pelada de novo... - Disse ela secando as lágrimas.
- Princesa, papai promete que vai ser o mais rápido possível pra que
não se sinta desconfortável.
- Promete mesmo?
- Claro, filha! Alguma vez te menti?
- Não ....
- Então, confia em mim?
- Confio ...
- Deita aqui pro papai te trocar e a gente ir nanar ....
- Não precisa me tratar que nem bebê, tá? Disse ela possessa e fungando ainda do choro.
Nessa hora comecei a lembrar do tempo que ela era bebê, uma lágrima quase brotou no meu olho. Maledeto Saudosismo Italiano! Ê beleza!
Até o sotacão do meu pai voltou ...
- Perdona tuo padre, figlia ... Ai, porca miséria ... Desculpa, filha. Não vou te tratar que nem bebê ...
Na mesma hora pensei comigo. "Vou sim. Aos poucos mas vou."
Comecei a despí-la, tirei a calça, calcinha e ela obviamente se cobriu com as mãos.
-Alessia, filhinha, tira a mãozinha.
- Disse já tirando as mãos dela da frente. Ela então cobriu os olhos e começou um chorinho bem baixo. Eu só
lhe dei um beijo na testa e continuei:
- Calma meu anjo, vai ser rápido.
Abri o pacote de fraldas, peguei uma e abri pra deslizar por debaixo dela.
Fiz como fazia quando ela era bebê, só que pedi ajuda:
- Levanta as perninhas pra me ajudar, por favor.
Ela levantou, relutante, mas levantou.
Segurei-lhe as pernas no ar, peguei os lencinhos umedecidos e limpei
seu bumbumzinho lindo. Passei pomada e talco. Nessa hora ela disse:
- Nossa! Mas precisa de tudo isso?! Credo!
- Você não quer acordar assada, quer?
- Não, pai ... Não quero ...
- Eu imaginei ... Então, tudo isso é pra te proteger...
Deslizei a fralda por baixo do bumbum dela, abaixei as pernas e comecei a limpar a virilha. Ela deu um pulinho por causa do
álcool dos lencinhos.
- Aaai! Tá gelado!
Eu esbocei um risinho, e a lagrima safada quase escorreu. Segurei e continuei.
Passei pomada, talco e fechei a fralda colando as fitas.
- Pronto filha, tá limpinha e prontinha pra dormir. Sem riscos agora.
Ela tirou a mão do rosto, olhou pra baixo e corou de vergonha.
Dei a mão para que levantasse, ajudei-a a se acostumar com o andar e dei um tapinha em seu bumbum.
- Até que você ta bonitinha! Hehehe
- Não me zoa, pai! To nada, patcha treco feio!
- Tá bom, filha... Agora vamos dormir, tá tarde já e não quero você no computador até de madrugada .... Dá um beijo no coroa aqui, vai!
Ela me deu um beijo, mal-humoradinha ainda e sentou-se novamente.
- Nada de ficar até de madrugada hein? Amanhã quero aproveitar o dia com você.
Vou te acordar cedinho, viu?
Boa noite meu anjo!
- Boa noite, pai!
Eu saí do quarto, encostei a porta e fui dormir.
Vamos lá então...
ALESSIA
Fui pra escola tão nervosa que nem sentia vontade de comer. Eu
realmente não sabia porque tinha me molhado à noite. Estava me sentindo
uma porca... fiz o maior esforço pra prestar atenção nas aulas e na hora
do intervalo fui me sentar em um canto, isolada das minhas amigas. Uma
delas viu que eu não estava afim de conversa e veio me perguntar o que
havia:
- O que aconteceu, Alessia? você está bem?
- é... bom, só estou com um pouco de dor de cabeça... quero ficar
aqui...
- Tá certo... eu e as meninas vamos assistir os meninos jogarem lá
na quadra, se quiser se juntar a nós, sabe o caminho.
- Ok, talvez eu vá lá um pouco mais tarde...
Minha amiga saiu e eu continuei lá sentada de cabeça baixa. A
verdade era que eu não queria nem ver, nem conversar com ninguém, só
queria entender o que tinha acontecido comigo. O resto do tempo na
escola demorou a passar. Quando deu o horário da saída, peguei minhas
coisas e tomei o rumo de casa. Infelizmente meu pai não podia ir me
buscar pois não saía do trabalho na hora do almoço, então eu tinha que
voltar a pé. Cheguei, almocei o prato que ele havia deixado pra mim no
microondas e peguei os deveres que não eram poucos pra fazer. Estava tão
entretida com isso tudo que até tinha me esquecido do acontecido da
noite passada. Nem sei que horas eram quando ouvi o barulho do carro
sendo guardado na garagem e ele abrindo a porta com sua chave.
- Alessia! - Chamou ele lá do andar de baixo mesmo.
- Estou aqui no quarto estudando, pai.
- Desce aqui, quero falar com você!
Nessa hora eu gelei. "Não é possível que vá descascar o tomate
em cima de mim porcausa de ontem à noite..." eu pensava enquanto ia
descendo as escadas em passos lentos.
- Sente-se aqui ao meu lado. - Disse ele batendo no sofá assim que
cheguei lá em baixo.
Me sentei e comecei a roer as unhas olhando pro chão.
- Pare de roer essas unhas e olhe pra mim, por favor. - Continuou em
tom firme.
Eu obedeci, mas fiquei tremendo.
- Bom, hoje sua cama amanheceu molhada. Como você me explica isso?
Tomou muito líquido antes de dormir?
- Não, pai, só tomei um copo de coca na hora do jantar que você
viu... realmente não sei o que aconteceu...
- Tudo bem, meu anjo, não precisa ficar nervosa, eu só estou
conversando contigo... isso não acontece mais desde que você tinha 4
anos...
- Eu juro que não vai se repetir...
- Não precisa jurar, acidentes acontecem. Agora vamos jantar...
A hora de comer, que sempre era muito boa, conversávamos, ríamos e
tal, naquele dia foi tensa, quieta... eu não tinha vontade nem de olhar
pra ele direito. Depois que terminamos, limpamos a cozinha e cada um foi
pro seu canto, ele pro quarto dele e eu pro meu, ficar mexendo no
computador. Nem achei graça em nada que via na internet. Não demorou
muito e já fui dormir, mas antes passei no banheiro pra garantir que não
molharia a cama novamente.
MATTEO
Odeio esses momentos em que tenho de falar daquele jeito com minha
pequena... a carinha que ela me faz é de cortar o coração, mas como pai,
às vezes preciso ser firme. Nem conversamos na hora do jantar. Queria
saber o que ela estava sentindo como sempre faço, mas aquele não era o
momento. depois de deixar tudo no jeito na cozinha fomos dormir.
no dia seguinte a mesma coisa. Meu despertador que ainda mantenho a
promessa de tacar na parede me acordou com seu grito agudo. Levantei,
fui me ajeitar já pra dar os 10 minutos extras da minha Maria
dorminhoca, tomei meu costumeiro café e fui lá para o quarto dela.
- Vamos levantando, dona preguiçosa, já te dei seus 10 minutos,
agora estamos em cima da hora.
Ela como sempre só deu aquele gemidinho básico sem nem me olhar e eu
tive que apelar de novo pro puxão de cobertas. Qual não foi a minha
surpresa quando fiz isso e...
- Ai Alessia... outra vez a cama molhada?
- Pai eu...
- O que está acontecendo com você, meu anjo?
- Juro, não sei! - disse ela já enchendo os olhos de lágrima.
Respirei fundo e tentei me acalmar, não queria brigar logo cedo.
Mandei que fosse pro banho e como no dia anterior, tirei as roupas
molhadas já pensando no que fazer. Quando ela saiu do banheiro toda
arrumada pra ir à escola eu só disse:
- Precisamos ver isso aí... não vou dar conta de ficar lavando
roupas molhadas sempre.
- Pai, eu juro pelo que você quiser que não sei o que me acontece! -
Disse ela fungando.
- Tá, não precisa chorar, vamos pensar no que fazer mais tarde.
Agora come seu lanche que já estamos atrasados.
Vi que ela comeu na marra e que sua expressão era de tristeza, mas
eu nada podia fazer a não ser pensar em como resolver o problema.
Entramos no carro e fui levá-la pro colégio. Ela ainda com carinha triste e demonstrando nervosismo, ligou a música no celular e colocou os fones, ou seja,
não estava pra papo.
Como pegamos trânsito, fui pensando no caminho o que faria pra resolver o problema dos
"acidentinhos". Até que tive uma súbita lembrança da Dra. Tereza, a médica
pediatra dela. Pode parecer estranho, mas a Alessia ainda não tinha passado pela mudança de menina pra mocinha. Tentei chamá-la com um toquinho no ombro:
-Filha?
Ela nem respondeu. Tentei dois toquinhos e falei um pouquinho mais alto:
- Alessia! To falando com você amorzinho ...
De novo, sem resposta ... Resolvi apelar, tirei um dos fones de ouvido da orelha dela e chamei:
- Alessia, To te chamando, poxa!
Sim, ela virou a cara com uma expressão de que queria me morder, mas falou:
- Que que foi pai?
- Ei, baixa o tom comigo, mocinha. Nada de levantar a crista, ja sabe né?
- Tá bom papai, desculpa ...
- Tudo bem, ta desculpada meu amor. Agora me escuta, lembrei que faz um tempão que não vamos na Dra. Tereza, então decidi te levar hoje. Vou ligar la agora
de manhã e tentar conseguir um encaixe. Assim que você sair da aula, me liga que vou te buscar pra irmos pra consulta.
- Maaass, paaai! Eu não sou mais criança ... Ela é pediatra ...
- Filha, sem mais nem menos, vai e pronto. Temos que descobrir o porque desse xixi na cama.
- Ai pai, não me deixa com mais vergonha! E mesmo assim, hoje não vai dar ... Tenho que ir na casa da minha amiga fazer um trabalho pra segunda-feira ... Vou
passar a tarde la, a mãe dela vem buscar a gente.
- Tá bem, deixe que eu ligo pra Dra. E se der passo la pra conversar com ela.
- Disse com tom desconfiado, ja meio que sabendo que a Alessia não estava nem um pouco afim de ir no médico ...
Chegamos na escola, deixei ela na porta e me despedi com um beijo no rosto.
Fui indo pro escritório e esperando dar 8 da manhã pra ligar pro consultório.
Cheguei no trabalho, ja esperando aquela tonelada de reclamações, já que cuido do RH da companhia toda, inclusive fora do país e só me chamam pra resolver pepino
e descascar abacaxi. Fui surpreendido por uma manhã tranquila, consegui ligar pra Dra. as 10.
- Alô? É do consultório da Dr.a Tereza?
- Sim, Ela mesma. Quem deseja?
- Quem fala é Matteo, Di Napoli. Pai da Alessia ... Lembra-se?
- Claro, muito bem! Como anda minha queridinha?
- Bem, mas temos um pequeno problema ...
- Sinto tom pesado na sua voz Sr. Di Napoli, pode me contar ...
- é que a Alessia anda tendo uns "acidentinhos" de noite ... Ela voltou a fazer xixi na cama ....
- Calma Sr. Di Napoli, isso é normal. Na idade dela as mudanças no corpo acontecem muito rápido, mas a mente as vezes não acompanha ... Muitas adolescentes
da idade dela passam por isso.
- É mesmo Dra.? -
Disse com tom surpreso e me acalmando. Mas continuei:
- E o que a Sra. Sugere como solução?
- Olha, eu sugiro a adoção de fraldas a noite ... Mas lembre-se que se os acidentes progredirem para o período diurno, não perca tempo, adote as fraldas 24hs
e traga ela aqui para uma visitinha de rotina, ok?
- Claro Dra., sem problemas ... Ela vai ser resistente, mas ... Não tem jeito ...Obrigado e Bom dia!
- Bom dia Sr. di Napoli! Estou às ordens!
Desliguei o telefone e continuei a trabalhar. Fui almoçar como sempre com o pessoal do escritório e fiquei
pensando na questão de comprar ou não as Fraldas
pra Alessia. Decidi que iria comprar e fazer uma surpresa pra ela assim que saísse do trabalho.
Consegui terminar tudo antes do fim do expediente, por volta de umas 16:30 ... Saí e fui direto comprar as fraldas. Comprei um pacote de TENA, disseram na farmácia
que eram as melhores do mercado. Além disso comprei tudo pra higiene dela, evitar as assaduras era de suma importância. Fui até em casa e deixei
as fraldas e tudo mais no meu quarto. Liguei pra Alessia:
- Filha? Tudo certinho aí na casa da sua amiga?
- Tudo sim pai, estamos quase terminando o trabalho.
- Posso ir te buscar umas 18:30?
- Pode sim!
- Pergunte pra sua amiga se ela não quer vir comer uma pizza com a gente, depois a levo embora.
- Tá bem pai, vou ver aqui, até mais tarde! Beijo!
- Beijo!
Como combinamos, passei as 18:30hs pra buscá-la na casa da amiga, que era bem longe de onde moramos, mas não me importei, queria fazer um agradinho pra ela
antes de dar a notícia de que ela iria dormir de fraldas ...
Chegando la ela estava me esperando no portão, abri a porta do carro e ela entrou. Quando ia ligar os fones de ouvido, chamei:
- Alessia, cadê sua amiguinha? Nós não iamos comer pizza?
- Ah, pai, ela não quis, disse que outro dia vai com a gente ...
- Certo, mas ... O que a minha princesinha acha de curtir uma pizza e coca-cola com o velho aqui? - E fiz umas
coceguinhas nela.
- Ai papai, pára! Pára, pára, por favor! HAHAHAHAHA
E caiu na gargalhada.
- E então, topa?
- Quero sim, mas vamos em casa, não to no clima de sair.
- Disse ela meio desanimada.
-Humm, tá bem, depois me explica o porquê desse tomzinho de desânimo aí ....
- Não é nada pai, relaxa ...
Eu relaxei e fomos pra casa comer pizza.
Chegamos lá, pedimos a pizza, Alessia foi esperar no quarto, como sempre enfurnada naquele bendito computador ... Ai ai ai ... Qualquer hora cancelo esse
plano de internet ilimitado...
Quando chegou, sentamos pra comer, comemos, demos umas risadas e ela ja ia subindo com um copo de coca-cola, é o
refrigerante preferido dela.
Antes disso eu chamei :
- Filha, nem sobe. - Ela gelou, parou onde estava e foi descendo a escada devagar.
- Senta aqui do lado do papai.
E dei dois tapinhas no sofá, onde me sentei também.
- Precisamos conversar ...
Ela simplesmente me olhou com cara de "to ferrada" e não falou nada, só sentou e começou a roer as unhas de novo.
- Alessia, filhota ... Relaxa ... Sabe que papai não morde. Tira a mãozinha da boca meu anjo.
Ela tirou a mão, parou de roer as unhas, e me olhou fundo, com cara de choro já.
- Calma ... Nem falei nada ainda.
- Tá bem, pai... Fala vai...
- Olha, eu falei com a Dra. Tereza hoje e ela me deu uma solução muito boa pros seus "acidentinhos" ...
- Que solução? - Disse ela com um olhar de susto e choque.
- Bom, sobe pro seu quarto. Ja te encontro lá, é mais fácil ...
- Iiiii, não to gostando disso ....
E subiu, desconfiada e assustada.
Eu fui logo em seguida, passei no meu quarto e peguei o pacote de fraldas, os lencinhos, talco e pomada pra assaduras que tinha comprado. Fui indo até o quarto
dela com tudo escondido atrás das costas e entrei.
- Senta aí na cama...
Ela saiu do computador, tremendo e sentou-se.
- Fala pai, que que é a solução?
- Tá aqui meu anjo.
E mostrei as fraldas e tudo o mais.
- O quê?!?! Eu não acreditooo! É mentira ...
E desabou a chorar.
- Eu ... Não... Vou ... Usar ... Isso! (snif, snif) De jeito nenhum!
E chorava mais e mais alto.
Eu a abracei forte, e sequei suas lágrimas.
- Calma filha, será só por um tempo. A Dra. Tereza disse que é normal isso acontecer com meninas da sua
idade.
Ainda no abraço, continuei acariciando os lisos cabelos castanhos dela.
- Amorzinho, será o nosso segredinho, de noite papai te troca antes de dormir e você não acorda mais molhada ....
Ela saiu do abraço, parou de chorar e me olhou:
- Pera aí, você ainda que vai me trocar? Aaah, não! Aí ja é demais!
- E caiu no choro de novo.
- Sozinha você não vai conseguir... Não é tão simples assim. Eu fiz isso muito quando
você era pequena, não
terá problema nenhum...
- O problema não é a fralda, É o senhor me ver como vim ao mundo ... Não sou mais criancinha, pai!
- Deixa de bobagem ... Sou seu pai, te Cuidar pra mim é obrigação, meu anjo.
- Não quero que o senhor me veja pelada de novo... - Disse ela secando as lágrimas.
- Princesa, papai promete que vai ser o mais rápido possível pra que
não se sinta desconfortável.
- Promete mesmo?
- Claro, filha! Alguma vez te menti?
- Não ....
- Então, confia em mim?
- Confio ...
- Deita aqui pro papai te trocar e a gente ir nanar ....
- Não precisa me tratar que nem bebê, tá? Disse ela possessa e fungando ainda do choro.
Nessa hora comecei a lembrar do tempo que ela era bebê, uma lágrima quase brotou no meu olho. Maledeto Saudosismo Italiano! Ê beleza!
Até o sotacão do meu pai voltou ...
- Perdona tuo padre, figlia ... Ai, porca miséria ... Desculpa, filha. Não vou te tratar que nem bebê ...
Na mesma hora pensei comigo. "Vou sim. Aos poucos mas vou."
Comecei a despí-la, tirei a calça, calcinha e ela obviamente se cobriu com as mãos.
-Alessia, filhinha, tira a mãozinha.
- Disse já tirando as mãos dela da frente. Ela então cobriu os olhos e começou um chorinho bem baixo. Eu só
lhe dei um beijo na testa e continuei:
- Calma meu anjo, vai ser rápido.
Abri o pacote de fraldas, peguei uma e abri pra deslizar por debaixo dela.
Fiz como fazia quando ela era bebê, só que pedi ajuda:
- Levanta as perninhas pra me ajudar, por favor.
Ela levantou, relutante, mas levantou.
Segurei-lhe as pernas no ar, peguei os lencinhos umedecidos e limpei
seu bumbumzinho lindo. Passei pomada e talco. Nessa hora ela disse:
- Nossa! Mas precisa de tudo isso?! Credo!
- Você não quer acordar assada, quer?
- Não, pai ... Não quero ...
- Eu imaginei ... Então, tudo isso é pra te proteger...
Deslizei a fralda por baixo do bumbum dela, abaixei as pernas e comecei a limpar a virilha. Ela deu um pulinho por causa do
álcool dos lencinhos.
- Aaai! Tá gelado!
Eu esbocei um risinho, e a lagrima safada quase escorreu. Segurei e continuei.
Passei pomada, talco e fechei a fralda colando as fitas.
- Pronto filha, tá limpinha e prontinha pra dormir. Sem riscos agora.
Ela tirou a mão do rosto, olhou pra baixo e corou de vergonha.
Dei a mão para que levantasse, ajudei-a a se acostumar com o andar e dei um tapinha em seu bumbum.
- Até que você ta bonitinha! Hehehe
- Não me zoa, pai! To nada, patcha treco feio!
- Tá bom, filha... Agora vamos dormir, tá tarde já e não quero você no computador até de madrugada .... Dá um beijo no coroa aqui, vai!
Ela me deu um beijo, mal-humoradinha ainda e sentou-se novamente.
- Nada de ficar até de madrugada hein? Amanhã quero aproveitar o dia com você.
Vou te acordar cedinho, viu?
Boa noite meu anjo!
- Boa noite, pai!
Eu saí do quarto, encostei a porta e fui dormir.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
outra vez, bebê! Conto de Alessia
Olá meus queridos leitores! Trago mais um conto fictício escrito por mim! Esse foi baseado em um roleplay, brincadeira virtual pra quem não sabe. Espero que gostem! Vamos lá.
ALESSIA
Oi! Meu nome é Alessia e tenho 13 anos. Moro com meu pai, Matteo,
que é viúvo. Minha mãe faleceu poucos meses depois de eu ter nascido e o
motivo não sei ao certo, pois meu pai não gosta nem mesmo de lembrar.
Vivemos em uma casa grande. Posso dizer que sou feliz, tenho tudo que
uma garota da minha idade pode querer. Sei que meu pai me ama muito e eu
também o amo.
Bem, era um dia como outro qualquer. Eu fui à escola, voltei,
almocei, fiz as tarefas e fui mexer no computador. No fim da tarde como
sempre, meu pai chegou.
- Alessia, filhota, posso entrar? - Disse ele na porta do quarto.
- Oi pai, pode sim...
Ele entrou, se sentou na minha cama perfeitamente arrumada e começou
a perguntar como foi a escola, o que mais eu fiz durante o dia e tal. De
uma coisa eu nunca poderei reclamar, que é sentir falta de carinho.
Tenho que agradecer todos os dias pelo meu pai pois ele é um anjo.
Ficamos conversando ali por um tempo até que deu a hora do jantar.
Fomos pra mesa, comemos, eu o ajudei a arrumar a cozinha e como era dia
de jogo, aproveitei que ele ia ficar naquela alegria toda e resolvi
mexer mais no computador. Terminado o jogo ele desligou a televisão e
subiu para o quarto, não sem antes passar pra me dar um beijo de
boa-noite.
- Vê se não amanhece o dia aí nesse computador pois amanhã você tem
escola, ouviu bem? - Disse ele me puxando pra um abraço.
- Tá bom pai... já vou, só estou vendo umas coisas aqui...
- Ok, mas não demore. Vou dormir que amanhã será um longo dia.
Ele saiu, fechou a porta e eu demorei mais alguns minutos e fui
dormir também.
MATTEO
Depois do jogo, como eu já estava morto de cansado, desliguei tudo e
subi para o quarto. Dei um beijo na filhota, fui fazer o que tinha que
fazer antes de dormir e quando caí na cama,
simplesmente capotei. Só acordei no dia seguinte às 6 da manhã com
aquele meu despertador barulhento... "Qualquer hora ainda te taco na
parede!" pensei comigo mesmo e olhando pra ele. Levantei na maior
preguiça e sem a mínima vontade, mas fiz o que faço sempre que isso
acontece, pensei na minha filha e que se eu não levantar pra trabalhar
não posso dar o que ela precisa. Fui caminhando devagar até o quarto
dela, que ainda dormia como um anjo. Sou meio suspeito pra falar, mas é
a coisa mais fofa que já vi... Dá até dó de acordar, mas assim como eu
preciso trabalhar ela precisa estudar pra ser alguém na vida. Então
cheguei mais perto e chamei:
- Alessia, vamos, hora de acordar!
- Hum... já? Deixa eu dormir mais 10 minutinhos...
- Tá bem, Maria preguiça... só mais 10, hein? Já volto.
Deixei ela lá e aproveitei pra tomar uma xícara de café, porque se
eu não fizer isso, não acordo direito. Café tomado, dentes devidamente
escovados, tudo pronto, voltei lá:
- Filha, agora vamos. Já dormiu bastante.
- Humm... - Gemeu ela sem nem abrir os olhos.
- Alessia, não estou brincando, você vai se atrasar e me atrasar
também, ande logo!
Vendo que ela nem se mexia, puxei as cobertas e de cara vi uma
mancha enorme no lençol e na calça dela.
- Filha, o que é isso? Você fez xixi na cama?
Ela apenas me olhou sem saber o que dizer.
- Não se preocupe, meu anjo, isso acontece... agora levante-se e vá
tomar banho pra ir à escola. - Eu disse e lhe dei um beijo para dizer
que estava tudo bem.
Ela se levantou, foi se aprontar e eu tirei os lençóis molhados e as
roupas e coloquei tudo pra lavar. Terminamos de ajeitar as coisas, eu
dei um dinheiro a ela pra comprar algo pra comer já que estava sem fome
naquela hora. Como já estávamos um pouco atrasados, entramos no carro e
saímos. Deixei-a na escola e fui pro trabalho, mas pensando muito sobre
o fato de ter encontrado a cama molhada. falei comigo mesmo que naquela
noite teríamos uma conversa.
CONTINUA!!!!
ALESSIA
Oi! Meu nome é Alessia e tenho 13 anos. Moro com meu pai, Matteo,
que é viúvo. Minha mãe faleceu poucos meses depois de eu ter nascido e o
motivo não sei ao certo, pois meu pai não gosta nem mesmo de lembrar.
Vivemos em uma casa grande. Posso dizer que sou feliz, tenho tudo que
uma garota da minha idade pode querer. Sei que meu pai me ama muito e eu
também o amo.
Bem, era um dia como outro qualquer. Eu fui à escola, voltei,
almocei, fiz as tarefas e fui mexer no computador. No fim da tarde como
sempre, meu pai chegou.
- Alessia, filhota, posso entrar? - Disse ele na porta do quarto.
- Oi pai, pode sim...
Ele entrou, se sentou na minha cama perfeitamente arrumada e começou
a perguntar como foi a escola, o que mais eu fiz durante o dia e tal. De
uma coisa eu nunca poderei reclamar, que é sentir falta de carinho.
Tenho que agradecer todos os dias pelo meu pai pois ele é um anjo.
Ficamos conversando ali por um tempo até que deu a hora do jantar.
Fomos pra mesa, comemos, eu o ajudei a arrumar a cozinha e como era dia
de jogo, aproveitei que ele ia ficar naquela alegria toda e resolvi
mexer mais no computador. Terminado o jogo ele desligou a televisão e
subiu para o quarto, não sem antes passar pra me dar um beijo de
boa-noite.
- Vê se não amanhece o dia aí nesse computador pois amanhã você tem
escola, ouviu bem? - Disse ele me puxando pra um abraço.
- Tá bom pai... já vou, só estou vendo umas coisas aqui...
- Ok, mas não demore. Vou dormir que amanhã será um longo dia.
Ele saiu, fechou a porta e eu demorei mais alguns minutos e fui
dormir também.
MATTEO
Depois do jogo, como eu já estava morto de cansado, desliguei tudo e
subi para o quarto. Dei um beijo na filhota, fui fazer o que tinha que
fazer antes de dormir e quando caí na cama,
simplesmente capotei. Só acordei no dia seguinte às 6 da manhã com
aquele meu despertador barulhento... "Qualquer hora ainda te taco na
parede!" pensei comigo mesmo e olhando pra ele. Levantei na maior
preguiça e sem a mínima vontade, mas fiz o que faço sempre que isso
acontece, pensei na minha filha e que se eu não levantar pra trabalhar
não posso dar o que ela precisa. Fui caminhando devagar até o quarto
dela, que ainda dormia como um anjo. Sou meio suspeito pra falar, mas é
a coisa mais fofa que já vi... Dá até dó de acordar, mas assim como eu
preciso trabalhar ela precisa estudar pra ser alguém na vida. Então
cheguei mais perto e chamei:
- Alessia, vamos, hora de acordar!
- Hum... já? Deixa eu dormir mais 10 minutinhos...
- Tá bem, Maria preguiça... só mais 10, hein? Já volto.
Deixei ela lá e aproveitei pra tomar uma xícara de café, porque se
eu não fizer isso, não acordo direito. Café tomado, dentes devidamente
escovados, tudo pronto, voltei lá:
- Filha, agora vamos. Já dormiu bastante.
- Humm... - Gemeu ela sem nem abrir os olhos.
- Alessia, não estou brincando, você vai se atrasar e me atrasar
também, ande logo!
Vendo que ela nem se mexia, puxei as cobertas e de cara vi uma
mancha enorme no lençol e na calça dela.
- Filha, o que é isso? Você fez xixi na cama?
Ela apenas me olhou sem saber o que dizer.
- Não se preocupe, meu anjo, isso acontece... agora levante-se e vá
tomar banho pra ir à escola. - Eu disse e lhe dei um beijo para dizer
que estava tudo bem.
Ela se levantou, foi se aprontar e eu tirei os lençóis molhados e as
roupas e coloquei tudo pra lavar. Terminamos de ajeitar as coisas, eu
dei um dinheiro a ela pra comprar algo pra comer já que estava sem fome
naquela hora. Como já estávamos um pouco atrasados, entramos no carro e
saímos. Deixei-a na escola e fui pro trabalho, mas pensando muito sobre
o fato de ter encontrado a cama molhada. falei comigo mesmo que naquela
noite teríamos uma conversa.
CONTINUA!!!!
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