domingo, 31 de agosto de 2014

Cruzeiro, parte 6

Diga turma! Demorei, né? Eu sei... mas aconteceram várias coisas... primeiro fiquei sem computador, depois deletaram o meu perfil do facebook e eu fiquei muito chateada pq eu sei que foi de pura maldade e isso me desanimou mas deixemos isso pra lá. Sei que vcs querem a parte 6 do cruzeiro né? Então vamos lá... espero que gostem!


        ALESSIA

    Ai, Deus... por que eu sentia tanta vergonha da forma que estava sendo tratada?
 Eu juro que gostava, pois isso me fazia estar mais
perto dele como nunca fiquei ao longo desses anos todos, mas por outro
lado minha cabeça não parava de martelar. E se alguma amiga da escola
acabasse descobrindo? A escola... outro dilema... não sabia por
quanto tempo ia conseguir esconder meu segredo.. tinha medo que na
Educação Física quando eu fosse me abaixar ou fazer algum exercício
acabasse aparecendo a fralda por baixo da calça e aí?
    Fazia bem pouco tempo que eu havia retornado às aulas depois de ter
ficado doente e consegui escapar um pouco da Educação Física,
mas a professora já estava ficando desconfiada. Eu teria que discutir
isso com meu pai mas não naquela viagem tão
maravilhosa... ali eu só queria aproveitar. Nos divertimos muito aquela
tarde que passamos juntos, brinquei em um balanço, algo que eu
particularmente adorava mas com meu tamanho já era difícil achar um que
me coubesse. Então papai prometeu fazer um só pra mim no quintal
dos fundos da nossa casa. Depois fui no jogo de dança que eu também queria muito e no
fundo ficava derretida com o olhar dele pra mim, mas ainda não
sabia como calar aquele lado racional dizendo: "Isso não é pra
você..." tentei apenas curtir o momento e deixar isso pra lá. Sofri
um pouco quando me deu vontade de fazer o número 2, a sensação era ruim.
Bom e engraçado mesmo era o jeito que papai lidava com isso... ele fazia
aquilo tudo não parecer tão ridículo, mas eu não queria me acostumar e
acabar perdendo o controle. Quando eu estava com ele tudo bem, mas e se
algum dia acontecesse um acidente e eu estivesse só ou com outra pessoa?
Não, nem quero pensar...
    Na hora do jantar encontramos novamente a família feliz como meu pai
chamava. Thomas vestia um macacão azul cheio de carrinhos e
eu sabia que estava muito envergonhado. Na verdade até tinha ficado
legal, mas comentei só pra deixar ele um pouco pior pois ainda
estava chateada com a história da piscina. Pra minha sorte aquela garota
nojenta não havia aparecido até aquele momento. Porém meu comentário
pareceu dar efeito contrário ao esperado. Em vez de ficar mais
vermelho ele falou:

    - Que bom que gostou.

    Deixei pra lá, nem ouvi o que ele disse depois. Terminamos de jantar, fomos assistir a apresentação
do grupo dos macacões e após isso já deu a hora de dormir. Papai foi buscar
uma mamadeira pra mim conforme o aviso do sistema de som, mamei no colo
dele e era nessas horas que eu tinha a certeza dentro de mim que não
poderia mais viver sem isso. Quando eu estava quase terminando ele
perguntou se eu queria experimentar o berço e eu concordei. Então ele me
pôs um dos pijamas novos, me deitou lá e ficou como sempre cantando em
francês. Logo adormeci, mas comecei a ter sonhos estranhos.

    "Eu estava na aula de Educação Física e era alongamento. Em um dos
exercícios era preciso se abaixar. Eu disse que não faria pois estava
com dor, mas a professora não deu bola.

    - Alessia, você não é assim! - Dizia ela com firmeza. - Sempre fez
tudo direitinho... o que está acontecendo?

    - Nada, apenas não me sinto bem pra fazer isso.

    - Vamos lá, deixe de preguiça! - Ela já foi me pegando pelo ombro e me abaixando.
    Naquela de tentar me segurar eu acabei me desequilibrando e caindo
sentada e pro meu horror, minha calça desceu um pouco obviamente
mostrando o que eu usava por baixo. Todos começaram a rir de mim e eu me
desesperei e comecei a gritar e chorar."

    Acordei com papai me cutucando e falando meio desesperado:

    - Alessia, acorda! O que houve?

    - Hum? Como assim?

    - Você estava chorando e gritando não, não, não!!! Não o que, filha?

    - Ai papai eu tive um sonho horrível... - Comecei a chorar de novo.

    - Se acalme e me fala o que aconteceu, meu amor. - Ele me pegou do berço.

    Contei-lhe o pesadelo e depois de me ouvir atentamente ele me
ajeitou em seu colo.

    - Já passou, vidinha... foi só um susto, isso não vai acontecer, ok?
Quer dormir com o papai agora?

    Fiz que sim e ele me deitou na cama.

    - Ah, esquecemos de uma coisa, a chupeta! Quer experimentar?

    - Uhum...

    Foi até o armário e pegou a chupeta ainda lacrada,
abriu, lavou com a água quente da torneira mesmo e colocou-a em minha
boca. No começo estranhei um pouco, pois eu nem lembro mais há quanto
tempo eu não chupava uma.

    - E aí?

    - Quando foi a última vez que coloquei uma chupeta na boca?

    - Ah, você devia ter uns 4 anos... você queria uma bicicleta e eu
disse que só ganharia se entregasse a chupeta ao papai Noel...

    - Hum, sei... o truque da barganha, né?

    - Não senhora... eu achei que já chegava de chupeta e ia estragar
seus dentinhos que ainda estavam se formando...

    - E agora não vai?

    - Agora seus dentes já estão no lugar e você só vai usar na hora de
dormir, não é? Ou vai querer ficar o dia inteiro de chupeta?

    - Claro que não...

    - Acho bom... agora vamos dormir, amanhã é outro dia! - Disse ele
vindo se aconchegar ao meu lado e me abraçando.

    Na manhã seguinte eu acordei primeiro. Papai ainda dormia mas
parecia em paz. Continuei ali de chupeta na boca abraçada a ele, tomando
o cuidado de não acordá-lo. Não demorou muito e ele abriu os olhos.

    - Bom dia, princesinha! Como foi dormir a noite toda com papai? - Me
deu um beijo na testa.

    - Foi muito bom, adorei!

    - Legal! Vamos descer pro café? Se é que ainda tem...

    Olhei no pequeno relógio da mesa de cabeceira.

    - São 9 horas, fecha as 10.

    - Então vamos!

    Nos arrumamos, ele trocou minha fralda molhada da noite como sempre
fazia, escovamos os dentes e descemos. Ao entrar no restaurante senti
meu sangue ferver. Mellody, a nojenta da piscina estava na fila para se
servir, acompanhada dos pais!

    - Bom dia! - Meu pai cumprimentou, mas eu nem olhei.

    - Bom dia! - Respondeu o pai dela.

    - Vieram comer um pouquinho?

    - Pois é...

    - Você viu o Thomas? - Perguntou a infeliz se dirigindo a mim.

    - Melzinha, diga bom dia à sua amiguinha primeiro, filha, não seja
assim! - Repreendeu a mãe dela com um olhar tão nojento quanto o da tal.

    "Amiguinha o caramba..." Pensei. "Se eu pudesse cortava a cabeça
dessa patricinha em pedacinhos!"

    - Não. - Respondi secamente.

    - Ai, queria tanto conversar mais com ele... depois da piscina não
nos vimos mais... você que é bem amiga dele, me diga, ele tem namorada?

    - Sei lá, não falamos sobre essas coisas.

    Acho que meu pai sentiu o clima e interpôs:

    - Vamos pegar nossa comida e procurar uma mesa, amorzinho...

    Agradeci mentalmente e fui, deixando aquela garota com cara de
laranja azeda lá.

    - Era a da piscina né?

    - Sim... ai que ódio! Não me deixa passar perto dessa guria senão eu a mato!

    - Olha, nada de violência... estamos aqui pra nos divertir e não brigar.

    - Tá, mas ela que não me provoque!

    Nos sentamos, tomamos nosso café e saímos do restaurante, dessa vez
sem encontrar a família feliz.

    - Devem estar dormindo aqueles três preguiçosos... - Comentou papai.

    - Sei lá... o que vamos fazer agora?

    - Não sei, vamos olhar a programação?

    Nos dirigimos para o quadro de informações e achamos o seguinte aviso:

    "Parada em um pequeno porto onde próximo há um parque fechado que é
alugado periodicamente pela organização do cruzeiro para que os
cuidadores possam passear com seus bebês de carrinhos em tamanhos
maiores ou a pé, fica à escolha! Aguardem a chamada do sistema de som
para mais informações!"

    - Acho que vou passear com minha bebê de carrinho! - Papai estava
com um sorriso radiante no rosto.

    - Ah, será? Não podemos ir andando mesmo?

    - Mas filha, Meu sonho é fazer um passeio desses com você... já
pensou que fofo?

    - Não adianta teimar com o senhor, não é mesmo, SR. Matteo Di Napoli?

    - Não. - Ele apertou minhas bochechas.

    - Pare com isso, já falei que dói! Eu vou te morder. - Brinquei.

    - Nada de morder papai, danadinha! Se fizer isso te compro um mordedor, hein?

    - Tá, chega de graça... vamos pra não sei onde aguardar as
informações desse passeio...

    Nos sentamos em um sofá perto do restaurante e esperamos.




Continua!!! E aí, que tal o passeio no parque de carrinho? Eu to viajando muito nesse conto né? Mas me digam... estão gostando? E o que mais deveria acontecer? Acham que deveria ter um P.O.V da Mellody? E o papai Matteo deve continuar sozinho? esse vai ser um conto longo... então falem... quem acha que ele tá bem assim só com a filhota dele diga e quem acha que ele deve conhecer alguém diga também! rsrs agora fui!