sexta-feira, 3 de maio de 2013

Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 8

Vamos pra parte 8 turminha? rsrsrs!

        PAOLA

    "Que garotinha difícil..." eu pensava enquanto deixava o quarto dela
e voltava pro meu. Realmente transformar uma adolescente em bebê
outra vez parecia ser algo até um tanto ilusório, mas eram ordens do
patrão e eu só tinha que entregar o trabalho pronto... agora tudo que eu
queria era dormir, no dia seguinte tentaria arrumar a situação. Ainda
tinha uma semana pra conseguir dobrar aquele furacãozinho... se fosse
preciso até contaria que foi o pai dela que pediu pra ter sua
bebezinha de volta e eu só fiquei de ajudar.

    Coloquei meu celular pra despertar às 6 da manhã que era a hora dela
acordar pra ir à escola, virei pro lado e apaguei.
    Na manhã seguinte, quando despertou, levantei, fui até a cozinha e
já deixei o lanchinho dela no jeito e fui chamá-la:

    - Alessia, vamos? Já está na hora!

    Ela nem se mexeu e muito menos abriu os olhos. Cheguei mais perto e
coloquei a mão por cima das cobertas.

    - Querida, vai se atrasar... acorde!

    Nada.
    Resolvi então ser um pouquinho mais firme:

- Menina, pare de brincar, agora não é hora... ande logo!

    Continuou do mesmo jeito. Puxei as cobertas para que
sentisse frio e não teve qualquer efeito.

    - Ah, parece que a bebezinha tá de birra com a tia, né? Que coisa
feia... mas então se é assim vamos já resolver o problema...

    Fui até o meu quarto e peguei na bolsa uma chupeta. Quando eu a
colocasse em sua boca com certeza ela ia surtar.

    - Olha só o que eu tenho aqui! Um remedinho perfeito pra bebezinhas
birrentinhas... - E coloquei a chupeta na boca dela, mas foi como se eu
tivesse posto em uma boneca.

    - Tá certo, se quer ficar quietinha assim, fica mais bonitinha de
pepeta... agora vamos trocar a fraldinha?

    Comecei a tirar-lhe a calça com ela ainda sem se mexer, abri as
fitas da fralda e limpei-a. Por sorte só estava molhada.

    - Levanta as perninhas por favor, neném?

    Nem se mexeu.

    - Vamos! - Eu falei dando uns tapinhas bem de leve em sua perna só
pra ver, mas não adiantou.
    Então peguei as duas pernas dela com a maior dificuldade e fiz tudo
num malabarismo meio doido, mas era a única forma.

    - Bom, acho que a aula você já perdeu com essa brincadeira. Se quer
ficar assim o dia todo eu vou te levar comigo lá pra baixo com suas
fraldas e tudo.

    Realmente eu estava falando pras paredes... já sem paciência, a peguei
no colo e desci com certa dificuldade, deitei-a no sofá e voltei buscar
o resto das coisas. Fui pra cozinha e preparei uma mamadeira de leite
com nescau.

    - A tia trouxe mais uma coisinha que essa neném nervosa vai gostar
muito... - Falei tirando a chupeta e colocando o bico da mamadeira já
sabendo que ela não ia se mover.

    Fiquei segurando a mamadeira pra não cair porque nem chupar ela
chupava. Peguei de leve os ladinhos de sua boca e apertei pra ver se
algo acontecia, mas o leite só começou a derramar e ela se afogou.

    - Ai ai! - Esclamei, sentando-a e dando uns tapinhas nas costas. -
Por que isso, Alessia? Está vendo só?

    Finalmente resolveu falar:

    - Ah, pensei que ia me deixar morrer, patética! Pelo menos a senhora
não mata seus bebezinhos engasgados... hahahahaha

    - Não estou te entendendo, garota... por que agiu assim?

    - Ué, não estava me tratando como bebê e falando comigo como se eu
fosse uma retardada mental? Então, só correspondi da forma correta...

    - Não, você não entendeu... eu queria sim te tratar como bebê, mas
de forma carinhosa, não como você falou. Foram ordens de seu pai... ele
pediu que a tratasse assim pra que não sentisse falta de nada, muito
menos de carinho e só estou obedecendo.

    - Pode até ser, mas ele não mandou que me envenenasse, mandou?

    - Que horror! Não diga uma coisa dessas! Quantas vezes vou ter que
repetir? Não coloquei nada no seu leite!

    - Aaa é? Engraçado que só eu passei mal e a senhora também comeu a
comida do meu pai. E aí?

    - São coisas que podem acontecer, querida. Agora vamos parar com
isso, por favor... me desculpe se fiz qualquer coisa que não te
agradou... me dá uma chance de começar de novo?

    - Desde que chegou aqui eu já te achei esquisita, nunca confiei
na senhora, ainda mais agora. Não vou comer nada que preparar a
partir de hoje e quando eu sentir fome, farei um sanduíche ou qualquer
coisa assim. Ainda quero estar viva quando meu pai chegar...

    - Nossa... não sei nem o que falar mais... perfeito, então vai ficar
uma semana só à base de lanchinhos, né?

    - Prefiro isso do que morrer envenenada.

    - Uff! é, esse foi o trabalho mais difícil que arrumei... - Falei
baixinho e tampando a boca. - Tá certo, Maria teimosa e dona do seu
nariz. Se é assim imagino que não vá precisar de mim, né? Vou pro meu
quarto e não gostaria de ser perturbada.

    - é mesmo? - Perguntou ela ironicamente. - Nem eu. Estamos quites...
vou ficar comendo só o que eu preparar.

    Preferi deixar pra lá antes que eu falasse o que não devia, mas a
porta do banheiro ainda ia ficar trancada, afinal, de qualquer jeito
eu tinha que cumprir as ordens que me foram dadas. Porém, se ela tirasse
a fralda e ficasse sem ia ver uma por uma das roupas indo pro lixo.

    Voltei a assistir, morrendo de dor na consciência, pensando em
desfazer tudo, tratá-la normalmente e quando o patrão voltasse sentar e
explicar a ele, só que por outro lado deveria haver um ponto fraco
naquela senhorita e eu precisava descobrir. Mais tarde tive uma idéia:
Toda criança gosta do que é bom, no sentido de coisas gostosas pra comer
e com essa não era diferente. Resolvi então fazer um jantar caprichado
pra ela. Tudo bem que havia dito que não ia mais comer da minha comida,
mas quem sabe o cheirinho não a faria mudar de idéia?
    Abri a geladeira e fui ver se tinha algo pra inventar. Estava quase
vazia, por isso o dono da casa havia deixado a lista de compras pra fazer no dia seguinte, mas achei um peixe e resolvi assar. O
cheiro invadiu a casa toda.

    - Vamos ver se a dona bravinha vai resistir... - Falei comigo mesma.

    Fiquei esperando horas, mas nem sinal dela. Tinha pensado em ir lá
chamar, mas sabia que não ia vir. "Bom, uma hora eu sei que vai dar
fome." Pensei.

    Jantei, lavei a louça e guardei um prato com peixe e arroz no
microondas. Tinha certeza de que quando eu voltasse ele não estaria mais ali.
    Antes de dormir passei no quarto de Alessia, mas ela já estava
deitada. Não quis mexer pra não deixá-la pior. Só dei uma olhadinha na
fralda, que pra minha preocupação estava limpa e seca. Além disso ela
não havia comido nem bebido nada o dia inteiro... ai meu Deus...






CONTINUA!!!!

2 comentários:

Anônimo disse...

Tá ficando excelente, parabéns!

Mayra disse...

valeu mesmo!