quarta-feira, 8 de maio de 2013

Outra vez, bebê! Conto de Alessia parte 10

Oi galera! Sem mais delongas, vamos pra parte 10...

        PAOLA

    Depois de todas as compras guardadas, fui dar uma geral na casa,
lavar roupas e etc. A menina não havia descido pra comer nada desde
quando chegamos. Nem liguei, achei que era só birra dela e se
sentisse fome, viria preparar algo. Várias horas passaram. Comecei
então a me preocupar, aquilo já estava indo longe demais. Subi para o
quarto disposta a falar muito sério com ela, mas o que vi quando
entrei me fez mudar de idéia na mesma hora.
    Alessia estava coberta, só com o rosto de fora e gemendo, como se
estivesse com muita dor.

    - Querida, o que aconteceu? Tudo bem com você?

    - Não é nada, vai passar... por favor me deixa...

    - Quer alguma coisa?

    - Já disse que não! Dá pra me deixar?

    Fui pra mais perto e coloquei a mão em seu rosto que estava
simplesmente queimando.

    Menina, está ardendo em febre! Querendo ou não, vou cuidar de
você... seu pai não pode te ver assim quando chegar!

    - Quero meu pai de volta, agora!

    - Faltam poucos dias, meu amor... ele está trabalhando, entenda
isso... se me deixar te cuidar tudo fica mais fácil. não diz que já é
grandinha e não quer ser tratada como bebê? E está agindo como um, por quê?

    - Que se dane essa parte, eu só quero ele de volta! - E começou a
chorar como eu nunca a tinha visto fazer.

    Saí de perto dela e fui pro computador. Precisava mandar um e-mail
para o SR. Di Napoli urgentemente. Não dava mais pra continuar como
estava. Me sentei, liguei a máquina e abri meu e-mail. Não sei se foi
coincidência, mas já de cara vi uma mensagem dele perguntando como tudo
estava indo e dizendo que não conseguia parar de pensar em Alessia e
sentia-se aflito. Tratei logo de responder. Preferi omitir as birras que
ela havia feito e só contei a parte de que não queria comer, ardia em
febre e chorava aos soluços pedindo ele de volta. Enviei a mensagem,
desliguei o computador e fui tentar ver se podia fazer algo.

    - Meu anjo, mandei um e-mail pro seu pai e espero que ele receba
logo... você vai têlo de volta, mas antes disso precisa melhorar pelo
menos um pouquinho... Vou lhe preparar algo pra comer.

    - Não! - Gritou ela ainda chorando compulsivamente. - A senhora é
uma monstra, nunca mais quero te ver!

    - Vou desconsiderar isso, tá? Sei que crianças doentes não falam
coisa com coisa... mas você vai comer algo sim, já chega de teimosia.

    - Se eu comer, vou vomitar e eu tenho pânico disso, estou muito
enjoada! Agora por tudo que é sagrado, some!

    - Vou trazer um baldinho de lixo pra deixar aqui caso isso aconteça,
mas você vai comer e pronto!

    Ela não respondeu mais nada, apenas soluçava. Saí então do quarto e
fui até a cozinha fazer um bolo de chocolate. "Qual criança não
gosta disso?" Pensei. Queria que pelo menos meus últimos momentos com
ela fossem mais tranquilos. Enquanto o bolo assava, voltei lá pro quarto.

    - Vamos ver a fraldinha? Por falar nisso, desde aquele dia
você não fez mais o número 2... é impressão minha ou está segurando?

    - A senhora não sabe o que significam as palavras deixe, me, em, paz?

    - Você está doente e é minha obrigação cuidar disso por enquanto.
Agora deixa a tia ver isso aqui... - E comecei a massagear a barriga
dela. - é, acho que tá explicado o motivo da irritabilidade e da
febrinha... segurou, né?

    - Se já sabe disso então para de me encher!

    - Vou te trocar primeiro e depois te dar um pedaço do bolo que eu
fiz, está uma delícia...

    - Não quero nada!

    - Se não comer vai pro hospital tomar soro, isso você quer?

    - To nem aí!

    - Missão cumprida! O SR. Di Napoli vai chegar aqui e encontrar a
bebezinha dele do jeito que queria... - Falei tentando ironizar a
situação.

    - Patética! - Berrou ela.

    Troquei aquela fralda pouco molhada, já que não devia
ter quase nada em seu corpo e quando acabei, fui buscar o bolo.

    - Aqui, agora neném tem que papar tudinho.

    - Saia daqui. Estou pedindo por favor, pela última vez.

    - Olha que delícia... não quer nem um pedacinho? A tia dá na sua
boquinha.

    - Se eu comer posso até morrer...

    - Ai ai ai que drama! Calma, Alessia, falta bem pouco pra você se
livrar de mim... eu não cuidei de você, né?

    Aí quem começou a chorar fui eu. Odiava quando não conseguia fazer
meu trabalho corretamente e era a primeira vez que tinha cuidado de
uma criança que não gostou nenhum pouco de mim. Estava profundamente triste.

    - pode não acreditar mas acho lindo o quanto você é apegada
com seu pai, mesmo sendo um pouco exagerado...

    - Não quero perdê-lo de jeito nenhum, eu morreria se isso
acontecesse!

    - Não vai, nem pense em uma coisa dessas! Não vim aqui para
substituí-lo, só queria fazer você se sentir mimada, sei que
errei com você... sim, eu coloquei laxante no seu leite, mas não
imaginava que ia dar nisso tudo...

    - Então confessa? Ai ai, eu sabia, não dá pra confiar em pessoas como a senhora... -
Gemeu ela com uma voz fraca.

    - Eu estou aqui pedindo desculpas, né? Assumi o meu erro, não foi?

    Mas não houve resposta. Alessia ficou completamente mole e fechou os
olhos, desmaiada.
    Fiquei apavorada! Arrumei rapidamente uma bolsa com roupas,
fraldas, peguei-a no colo e corri pro hospital. Lá chegando, os médicos
a examinaram e fizeram uma lavagem para ela soltar o que estava
segurando fazia dias. Foi uma longa noite. Enquanto ela dormia eu fiquei
esperando sentada em uma cadeira do seu lado. Na manhã seguinte, como vieram
informar, teriam de deixá-la em observação, tomando soro o dia
inteiro. Eu já nem sabia mais o que sentia. Uma mistura de pena da
garota e certa culpa tomou conta. Se eu soubesse que acabaríamos nesse
lugar, juro, nunca teria colocado nada naquele leite...




CONTINUA!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Posta logo a próxima parte ! Estou ansiosa !